A rinoplastia deixou de ser associada apenas à redução nasal. O procedimento reúne objetivos estéticos, funcionais e reconstrutivos. Informações publicadas na National Library of Medicine apontam que a maioria dos pacientes combina motivações estéticas e funcionais. O planejamento exige conhecimento da anatomia e da fisiologia nasal, além de avaliação individual detalhada.
O Dr. Renato Sousa, otorrinolaringologista especializado em cirurgia plástica facial e com atuação em rinoplastia, afirma que a expansão das mídias sociais mudou a relação dos pacientes com o procedimento. Na última década, o acesso a diferentes técnicas e resultados permitiu comparar abordagens de profissionais do Brasil e do exterior.
“Esse acesso à informação elevou significativamente o nível de conhecimento e de exigência estética dos pacientes, que hoje buscam resultados naturais, sofisticados e altamente personalizados. Ao mesmo tempo, esse cenário impulsionou o desenvolvimento da própria rinoplastia, estimulando cirurgiões a aperfeiçoarem continuamente suas técnicas e a buscarem soluções eficazes, previsíveis e reprodutíveis”, afirma o especialista.
Planejamento considera função respiratória
A evolução da rinoplastia modificou a prioridade do planejamento cirúrgico. Segundo Sousa, compreender a anatomia e a biomecânica das estruturas nasais tornou possível adotar técnicas mais conservadoras e previsíveis. A proposta atual é remodelar e reposicionar estruturas, em vez de simplesmente retirá-las.
“Hoje, remodelamos e reposicionamos as estruturas em vez de simplesmente removê-las, preservando ou reconstruindo os mecanismos de sustentação do nariz para alcançar resultados mais naturais, estáveis e duradouros, sem abrir mão da função respiratória”, relata o profissional.
Essa abordagem considera que alterações na ponta, no terço médio e na pirâmide óssea podem interferir na geometria interna do nariz. Assim, uma mudança externa pode afetar o espaço disponível para a passagem do ar. O especialista ressalta ainda que alguns pacientes já apresentam alterações anatômicas internas sem perceber limitações respiratórias.
“Se essas modificações não forem cuidadosamente planejadas, podem reduzir o espaço interno e comprometer o fluxo de ar, mesmo quando o resultado estético parece satisfatório. Além disso, uma parcela significativa daqueles que procuram uma rinoplastia já apresenta alterações anatômicas internas, em alguns casos, sem que o paciente perceba limitações respiratórias”, explica o especialista.
Rinoplastia escultural ganha espaço
O conceito de rinoplastia escultural, conforme explica Sousa, resulta da combinação de características das técnicas estruturada e de preservação. A primeira utiliza enxertos para aumentar estabilidade e controle. A segunda procura manter ao máximo as estruturas anatômicas originais. A proposta escultural acrescenta o remodelamento tridimensional das superfícies nasais.
“Enquanto a rinoplastia estruturada tem como principal característica a reconstrução do nariz por meio de muitos enxertos para aumentar estabilidade e controle, e a rinoplastia de preservação busca manter ao máximo as estruturas anatômicas originais, a rinoplastia escultural concentra-se em esculpir as estruturas existentes com precisão milimétrica”, revela o cirurgião.
Na prática, a técnica busca remodelar cartilagens e ossos para produzir transições suaves e contornos naturais. “Na prática, isso significa utilizar enxertos apenas quando realmente necessários, preservar estruturas sempre que isso for vantajoso e modificar cada componente do nariz de forma individualizada”.
Tecnologia amplia precisão cirúrgica
Os avanços tecnológicos tiveram papel fundamental no procedimento. O uso de brocas diamantadas, segundo o especialista, permite remodelar o osso de maneira mais controlada. A tecnologia possibilita desgastar, afinar, esculpir e remover pequenas quantidades de tecido ósseo com maior precisão, respeitando as características anatômicas de cada paciente.
Entre 2020 e 2024, o número de rinoplastias cresceu 27%. Em 2024, foram registradas 1,08 milhão de cirurgias, segundo dados da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética, a ISAPS. O Brasil liderou o ranking mundial, com 102,6 mil procedimentos, equivalentes a 9,5% do total global.
A evolução técnica está relacionada ao pós-operatório. Segundo Sousa, a remodelação óssea mais precisa reduziu o trauma associado ao procedimento e ampliou o controle dos contornos. Segundo o médico, a maioria dos pacientes não apresenta equimoses no período pós-operatório.
“Considero essa uma das evoluções mais importantes da rinoplastia nas últimas décadas. A combinação entre tecnologia, conhecimento anatômico e técnicas de precisão tornou a cirurgia mais segura, mais previsível e menos traumática, permitindo resultados cada vez mais naturais e consistentes”, conclui o Dr. Renato Sousa.
Fonte: Terra
Foto: https://www.magnific.com/br/fotos-premium/cirurgiao-palpando-o-septo-nasal-de-uma-menina-durante-uma-consulta-para-uma-rinoplastia-e-um-conceito-de-correcao-da-proporcao-facial_428450348.htm