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Alimentação saudável esbarra na rotina e no bolso, aponta estudo em capitais brasileiras
Alimentação

Alimentação saudável esbarra na rotina e no bolso, aponta estudo em capitais brasileiras

por Esteticare 28 de abril de 2026
escrito por Esteticare

Os brasileiros conhecem os princípios de uma alimentação saudável, mas encontram dificuldades para transformar esse conhecimento em hábito. A distância entre saber e fazer aparece de forma consistente em diferentes perfis sociais, segundo o estudo “Comportamento alimentar: percepções e desafios da alimentação saudável”.

A pesquisa foi idealizada pelo Pacto Contra a Fome e conduzida pelo Instituto Pensi, com apoio da FOLU e cofinanciamento da Fundação José Luiz Setúbal. O levantamento mostra que a base conceitual está disseminada, mas fatores práticos interferem diretamente na adesão a uma dieta equilibrada.

“A maior parte das pessoas sabe que uma alimentação saudável é baseada em produtos in natura, frutas, legumes e verduras. O que não está acontecendo é a prática. A intenção de comer bem e o comportamento não estão necessariamente andando juntos”, afirma Maria Siqueira, cofundadora e co-diretora-executiva do Pacto Contra a Fome.

Há tentativas de organização alimentar, como planejamento de compras e preparo de refeições. Ainda assim, a rotina se impõe. Falta de tempo, cansaço acumulado e limitações financeiras aparecem como obstáculos recorrentes. Em um dos relatos, uma participante de São Paulo, de 37 anos, da classe AB, diz que “enfrenta muita falta de tempo para fazer comida”, o que restringe o preparo a momentos pontuais, geralmente à noite.

Entre a obrigação e a praticidade

A forma como a alimentação saudável é percebida também pesa. Nos grupos ouvidos, ela aparece frequentemente associada a disciplina e esforço, o que reduz seu apelo cotidiano. Em contraste, opções como fast food e delivery são ligadas a praticidade, conforto e recompensa.

“Hoje não se entende alimentação saudável como prazerosa. Já o fast food e o delivery aparecem como indulgência”, afirma Siqueira.

Essa lógica aparece em diferentes contextos. Uma mulher de 39 anos, da classe C, relata que, para ganhar tempo, prefere preparar um empanado frito que “fica maravilhoso”. Já uma jovem de 26 anos, da classe AB, afirma que, após dias exaustivos, recorrer a aplicativos de entrega se torna a alternativa mais viável. “Por mais que não seja saudável, é o que dá.”

Segundo Claudia Koning, pesquisadora do Instituto Pensi, a percepção de uma rotina acelerada atravessa as classes sociais e influencia diretamente as escolhas alimentares.

“Existe uma carga mental invisível relacionada ao planejamento alimentar. Não é apenas cozinhar, mas decidir o que será preparado, considerar preferências da família e conciliar tudo isso com uma rotina já sobrecarregada”, afirma.

Orçamento define o que vai ao prato

O custo dos alimentos é outro fator determinante. A percepção de que comer de forma saudável exige mais dinheiro apareceu em praticamente todos os grupos. Quando o orçamento fica mais apertado, as escolhas são ajustadas, mas não de forma uniforme.

Nas classes de maior renda, os cortes tendem a atingir itens considerados menos essenciais, como doces, petiscos ou produtos premium. Já nas classes C e DE, a redução impacta diretamente a qualidade da alimentação, com saída de carnes, frutas e legumes do carrinho.

“[Sobre suco], deixo a fruta e compro o de saquinho. É bem mais em conta”, diz uma mulher de 30 anos, mãe de um filho, moradora de São Paulo, da classe C. Em Belém, uma participante de 24 anos afirma que “a variedade de frutas diminui, não dá pra comprar vários tipos”. Outra, de 29 anos, resume a lógica: “Quando o dinheiro está pouco, normalmente sai a salada, que é o pepino”.

O cenário acompanha indicadores nacionais. Dados recentes da Pnad Contínua mostram que o Brasil ainda registrava, em 2024, cerca de 54,7 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar, o que representa 25,7% da população. Nos níveis mais leves, há perda de qualidade na dieta. Nos quadros mais graves, a redução atinge a quantidade de alimentos disponível.

Desigualdade de gênero na alimentação

O estudo também aponta diferenças na divisão de responsabilidades dentro das famílias. As mulheres concentram o planejamento, a compra e o preparo das refeições, mesmo quando acumulam outras atividades profissionais.

Além da sobrecarga, há impacto direto na própria alimentação. Segundo Koning, são elas que mais relatam sentimentos de culpa relacionados ao que a família consome.

“A pior alimentação tende a recair sobre as mulheres. A prioridade é garantir a comida dos filhos, e, na correria, muitas acabam comendo o que sobra ou optando por algo rápido no caminho. Falta tempo para pensar na própria alimentação, porque o foco está sempre na criança”, afirma.

Informação não basta para mudar hábito

Para as pesquisadoras, o desafio vai além de ampliar o acesso à informação nutricional. O conhecimento já existe. O ponto central é criar condições para que ele se traduza em prática.

“As pessoas já sabem o que é saudável. O que falta é repertório e soluções viáveis para o dia a dia”, afirma Koning.

Entre os caminhos apontados estão políticas públicas que ampliem o acesso a alimentos in natura, com subsídios e estímulo à produção, além de mudanças na comunicação sobre alimentação. “Hoje, a propaganda favorece alimentos prejudiciais à saúde. É preciso usar esses mesmos mecanismos para promover escolhas mais saudáveis”, diz Siqueira.

A educação alimentar também aparece como estratégia relevante, sobretudo no ambiente escolar. Experiências internacionais indicam que o ensino de culinária desde cedo pode influenciar hábitos não só das crianças, mas também de suas famílias.

“Em países como a Alemanha, há aulas semanais de culinária até o ensino médio. Os alunos aprendem a cozinhar. O que a criança está aprendendo na escola vai impactar a família dela, porque ela vai levar aquilo pra casa”, afirma Koning.

A pesquisa foi realizada em duas etapas. Primeiro, foram analisados 210 artigos científicos sobre comportamento alimentar. Depois, 142 pessoas foram ouvidas entre setembro e novembro de 2025 em cinco capitais brasileiras: São Paulo, Fortaleza, Goiânia, Porto Alegre e Belém. A amostra teve predominância feminina e incluiu jovens de 18 a 25 anos e adultos de 30 a 40 anos. Entre as limitações estão o recorte urbano e a coleta remota dos dados.

Fonte: Folha de São Paulo
Foto: https://br.freepik.com/fotos-gratis/comida-hospitalar_1092837.htm

28 de abril de 2026 0 comentário
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Adoçantes podem gerar efeitos duradouros no organismo e atingir gerações futuras, indica estudo
Alimentação

Adoçantes podem gerar efeitos duradouros no organismo e atingir gerações futuras, indica estudo

por Esteticare 21 de abril de 2026
escrito por Esteticare

Um estudo recente levanta um alerta sobre possíveis impactos de longo prazo associados ao consumo de adoçantes. A pesquisa sugere que alterações metabólicas e desequilíbrios na microbiota intestinal provocados por essas substâncias podem não se limitar a quem as consome diretamente, alcançando também gerações seguintes. Os dados ainda são preliminares, já que o experimento foi conduzido em camundongos, mas ampliam o debate sobre os efeitos dessas alternativas ao açúcar.

O tema ganha relevância em um contexto em que adoçantes são frequentemente utilizados como substitutos do açúcar, sobretudo em dietas voltadas à redução de calorias. A Organização Mundial da Saúde aponta que, em um primeiro momento, esses produtos podem contribuir para a diminuição do peso corporal. Ao mesmo tempo, há indícios de que o uso prolongado esteja associado ao aumento do risco de doenças como diabetes e problemas cardiovasculares, o que mantém o assunto em discussão na comunidade científica.

Experimento analisou três grupos de animais

O estudo, publicado na revista científica Frontiers, acompanhou inicialmente 47 camundongos divididos em três grupos distintos. Um deles recebeu água com sucralose, adoçante amplamente utilizado na indústria alimentícia. Outro grupo teve acesso à estévia, também comum em produtos voltados ao consumo humano. Já o terceiro grupo ingeriu apenas água, funcionando como controle.

Após essa etapa inicial, os pesquisadores observaram não apenas os animais expostos às substâncias, mas também duas gerações subsequentes. Os descendentes, tanto filhos quanto netos, não tiveram contato direto com os adoçantes. Ainda assim, foram avaliados para identificar possíveis efeitos herdados.

Os cientistas analisaram parâmetros relacionados ao metabolismo, incluindo a forma como o organismo processa a glicose e o estado da microbiota intestinal. A investigação buscou compreender se alterações observadas na geração original poderiam se manifestar mesmo na ausência de exposição direta.

Impactos na microbiota intestinal

Um dos principais focos do estudo foi a composição da flora intestinal. Os resultados indicaram que o equilíbrio entre bactérias benéficas foi afetado especialmente nos camundongos que consumiram sucralose e também em parte de seus descendentes diretos. Alterações semelhantes já vêm sendo discutidas em pesquisas anteriores sobre adoçantes.

Mudanças na microbiota têm implicações relevantes para a saúde. O desequilíbrio pode interferir na produção de ácidos graxos de cadeia curta, compostos fundamentais para o funcionamento adequado do intestino. Quando há alterações nesses ácidos, aumentam as chances de resistência à insulina e de processos inflamatórios.

O estudo também avaliou a expressão de genes associados à inflamação, como TLR4 e TNF. Nos animais que ingeriram sucralose, houve aumento da atividade desses genes, efeito que se estendeu à geração seguinte. No caso da estévia, a maior expressão genética foi observada principalmente nos descendentes, o que sugere um padrão diferente de impacto entre os dois adoçantes analisados.

Alterações na resposta à glicose

Outro ponto investigado foi a tolerância à glicose. Na geração original, os efeitos não foram considerados significativos. No entanto, entre os descendentes, surgiram alterações mais evidentes. Filhotes machos de camundongos expostos à sucralose apresentaram dificuldades na regulação da glicose no sangue.

Além disso, níveis elevados de glicose foram identificados tanto em machos descendentes do grupo que consumiu sucralose quanto em fêmeas descendentes do grupo exposto à estévia. Esses achados indicam que os efeitos metabólicos podem variar conforme o tipo de adoçante e também de acordo com o sexo dos animais.

De forma geral, os resultados apontam que os impactos foram mais consistentes entre os camundongos que consumiram sucralose e suas gerações seguintes. Uma das hipóteses levantadas é que esse adoçante permanece por mais tempo no trato digestivo, o que poderia favorecer maior interação com a microbiota intestinal.

Resultados exigem cautela na interpretação

Apesar dos achados, especialistas reforçam que é necessário interpretar os dados com cuidado. Como o estudo foi conduzido em animais, não é possível afirmar que os mesmos efeitos ocorram em humanos. Ainda assim, os resultados são considerados relevantes por indicarem possíveis caminhos para futuras investigações.

A persistência de alterações metabólicas ao longo de gerações chama atenção por sugerir mecanismos mais complexos do que os efeitos imediatos do consumo. Isso inclui possíveis influências epigenéticas, que afetam a forma como os genes se expressam sem alterar o código genético em si.

O estudo contribui para ampliar o entendimento sobre os impactos dos adoçantes, mas não estabelece conclusões definitivas. Pesquisas adicionais, especialmente em humanos, serão necessárias para confirmar se os efeitos observados se repetem fora do ambiente experimental. Enquanto isso, o tema segue em análise, com espaço para novas evidências e revisões científicas.

Fonte: Folha de São Paulo
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21 de abril de 2026 0 comentário
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Compra de pescado na Semana Santa exige cuidados para evitar intoxicação, alerta Vigilância Sanitária
Alimentação

Compra de pescado na Semana Santa exige cuidados para evitar intoxicação, alerta Vigilância Sanitária

por Esteticare 2 de abril de 2026
escrito por Esteticare

Com a chegada da Semana Santa, cresce a procura por peixes e frutos do mar em feiras e supermercados. Diante desse aumento, a Vigilância Sanitária da Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) reforçou orientações para que consumidores façam escolhas seguras e evitem problemas de saúde relacionados ao consumo de pescado.

O alerta envolve todas as etapas, da compra ao preparo. Segundo a superintendente de Vigilância Sanitária da SES-RJ, Helen Keller, medidas simples podem reduzir significativamente os riscos. “Com atenção na compra, no armazenamento e no preparo dos alimentos, é possível evitar riscos e garantir um momento de celebração saudável”, afirmou.

Por se tratar de um alimento altamente perecível, o pescado exige cuidados específicos. A conservação inadequada favorece a deterioração rápida e aumenta a chance de contaminação por micro-organismos.

Como identificar pescado fresco

No momento da compra, alguns sinais ajudam a avaliar a qualidade do peixe. A nutricionista Jussara Salgado explica que características físicas e o odor são indicativos importantes do estado de conservação.

“O peixe deve ter carne firme, escamas brilhantes e bem aderidas à pele, olhos salientes e brilhantes, além de guelras vermelhas e cheiro suave, característico.”

Esses elementos indicam frescor. Por outro lado, alterações nesses aspectos podem sinalizar que o produto já iniciou processo de deterioração. Cheiro forte, especialmente semelhante ao de amônia, é um dos principais sinais de alerta.

Além da aparência, o consumidor deve observar as condições de exposição. O pescado fresco precisa estar mantido sob refrigeração, geralmente sobre gelo, sem contato direto com a água do degelo e protegido por material adequado.

“O pescado precisa estar sobre uma camada de gelo, sem contato direto, e protegido por plástico adequado. Já os congelados devem estar bem armazenados, sem sinais de descongelamento, como embalagem úmida ou amolecida”, explicou a nutricionista.

Entre os principais pontos a serem observados estão:

  • carne firme
  • escamas bem aderidas à pele
  • olhos brilhantes
  • guelras avermelhadas
  • cheiro suave

Armazenamento e preparo em casa

Depois da compra, o tempo até a refrigeração deve ser o menor possível. O ideal é levar o pescado diretamente para casa e armazená-lo adequadamente.

Antes de guardar, recomenda-se fazer a limpeza, com retirada de vísceras, escamas e resíduos. Em seguida, o alimento deve ser mantido em recipiente fechado dentro da geladeira, evitando contato com outros produtos.

O prazo de consumo varia conforme a forma de preparo. Peixes destinados ao consumo cru devem ser ingeridos em até 24 horas. Já os alimentos cozidos podem permanecer refrigerados por até três dias.

A higiene durante o preparo também é um ponto central para evitar contaminações. “Durante o preparo, a higiene é essencial. Lavar bem as mãos antes e depois de manipular alimentos, higienizar utensílios e evitar o contato entre alimentos crus e cozidos são medidas simples, mas eficazes”, acrescentou Jussara Salgado.

Intoxicação alimentar é o principal risco

O consumo de pescado fora das condições ideais pode causar intoxicação alimentar. Os sintomas mais comuns incluem náuseas, vômitos e diarreia, podendo evoluir para quadros mais graves.

A superintendente Helen Keller destaca que a composição do pescado contribui para esse risco quando há falhas no manejo. “O pescado é um alimento rico em proteínas e muito sensível. Quando não é manipulado corretamente, pode favorecer a proliferação de bactérias e a produção de toxinas prejudiciais à saúde.”

Por isso, a recomendação é planejar as compras e evitar armazenar o alimento por longos períodos. O preparo deve ocorrer o mais próximo possível do consumo.

Pratos frios, como saladas com frutos do mar, exigem atenção redobrada. Devem ser mantidos sob refrigeração constante até o momento de servir, reduzindo a exposição a temperaturas inadequadas.

Atenção especial ao bacalhau

Tradicional na Semana Santa, o bacalhau também requer cuidados específicos. O processo de dessalgue, etapa essencial antes do preparo, deve ser feito sob refrigeração.

Deixar o alimento em temperatura ambiente durante esse processo aumenta o risco de contaminação. A orientação é realizar a troca de água sempre dentro da geladeira.

Fiscalização e papel do consumidor

Além das ações de fiscalização, a Vigilância Sanitária destaca a importância da participação do consumidor na identificação de irregularidades. Observar a higiene do local, as condições de armazenamento e a apresentação dos produtos ajuda a evitar problemas.

Caso sejam encontrados indícios de má conservação ou falhas sanitárias, a recomendação é acionar o órgão responsável no município. A medida contribui para a segurança coletiva e para a retirada de produtos inadequados do mercado.

Com cuidados que começam na escolha do pescado e seguem até o preparo, é possível reduzir riscos e manter a tradição da Semana Santa com segurança alimentar.

Fonte: Agência Brasil
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2 de abril de 2026 0 comentário
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Consumo de ultraprocessados cresce no Brasil e pressiona sistema de saúde
Alimentação

Consumo de ultraprocessados cresce no Brasil e pressiona sistema de saúde

por Esteticare 31 de março de 2026
escrito por Esteticare

A presença de alimentos ultraprocessados na dieta dos brasileiros aumentou de forma expressiva nas últimas décadas. Nos anos 1980, esses produtos respondiam por cerca de 10% das calorias consumidas no país. Hoje, já representam 23%. O avanço não é isolado. Estudos internacionais publicados na revista científica The Lancet mostram que o fenômeno se repete em diversos países.

A base conceitual para entender esse cenário surgiu no Brasil. Em 2009, o pesquisador Carlos Monteiro, da Universidade de São Paulo, desenvolveu, junto com sua equipe, a classificação NOVA. A proposta nasceu da necessidade de explicar o crescimento de doenças como obesidade e diabetes, cada vez mais associadas ao padrão alimentar contemporâneo.

A classificação divide os alimentos em quatro categorias. O primeiro grupo reúne itens in natura ou minimamente processados, como frutas, legumes, arroz e feijão. O segundo inclui ingredientes culinários, como óleo, sal e açúcar. O terceiro engloba alimentos processados, caso de conservas e pães. Já o quarto grupo é formado pelos ultraprocessados, como refrigerantes, biscoitos recheados e bebidas açucaradas.

Para Monteiro, a mudança no padrão alimentar está menos ligada a escolhas individuais e mais ao ambiente em que essas escolhas são feitas. “Não existe uma epidemia de falta de força de vontade, as pessoas são as mesmas. O que mudou foi o sistema alimentar. O sistema alimentar hoje é muito não saudável e acaba estimulando as pessoas a quase compulsoriamente consumir alimentos ultraprocessados”, afirma.

Reportagem mostra impacto no cotidiano

O tema é abordado no episódio “Ultraprocessados na Mesa dos Brasileiros”, exibido nesta segunda-feira (30), às 23h, na TV Brasil, dentro do programa Caminhos da Reportagem. A produção apresenta como identificar esses produtos, discute seus efeitos e mostra iniciativas que buscam reduzir o consumo.

Entre os exemplos, estão relatos de pessoas que mudaram a alimentação e uma escola pública em Águas Lindas de Goiás que investe em refeições baseadas em alimentos frescos. A iniciativa faz parte do Programa Nacional de Alimentação Escolar, considerado referência internacional.

Impacto econômico e mortes evitáveis

O crescimento do consumo de ultraprocessados traz consequências diretas para o sistema de saúde. Um estudo da Fiocruz Brasília, em parceria com o Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde, estima que esses produtos geram custos superiores a R$ 10 bilhões por ano no Brasil.

Além do impacto financeiro, há efeitos na mortalidade. Segundo o pesquisador Eduardo Nilson, análises indicam que até 57 mil mortes anuais poderiam ser evitadas se o consumo desses alimentos fosse eliminado.

Os dados reforçam o alerta entre cientistas e entidades da sociedade civil, que defendem medidas mais firmes para conter o avanço desses produtos na dieta da população.

Tributação ainda limitada

A reforma tributária aprovada em dezembro de 2023 introduziu mudanças no sistema de impostos, com implementação gradual entre 2026 e 2033. Apesar disso, os alimentos ultraprocessados não foram incluídos no imposto seletivo, criado para desestimular produtos prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente.

A única exceção são as bebidas açucaradas, como refrigerantes, que poderão ter tributação adicional. A coordenadora-geral de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde, Kelly Santos, explica que o novo modelo prevê incentivo a alimentos saudáveis, com redução ou isenção de impostos, e maior carga tributária para itens considerados não saudáveis.

A definição da alíquota para bebidas açucaradas ainda depende de regulamentação por lei complementar. “É uma medida já aplicada em outros países, como México e Chile, que nos inspiram a desenvolvê-la aqui no Brasil também”, afirma.

Publicidade e rotulagem entram no debate

Além da tributação, especialistas apontam a necessidade de ampliar a regulação da publicidade. A diretora executiva da ACT Promoção da Saúde, Paula Johns, cita o histórico de restrições à propaganda de cigarro como exemplo de política eficaz.

Ela destaca que muitos produtos ultraprocessados são divulgados com apelos que podem induzir o consumidor ao erro. “Você vê aqueles biscoitos recheados com várias alegações de que eles têm vitaminas. Então, tem todo um contexto de promoção desses alimentos que cria uma impressão de que eles são muito bons”, diz. “É mais importante você ter um marcador que indique que aquilo é um alimento ultraprocessado”, defende.

Riscos maiores para crianças

O consumo desses produtos desde a infância preocupa especialistas. A chefe de Saúde e Nutrição do Unicef no Brasil, Luciana Phebo, ressalta que a exposição precoce pode afetar o desenvolvimento integral.

“Desenvolvimento do sistema nervoso, do sistema imunológico, do sistema digestivo, enfim, de todo o corpo, das suas dinâmicas. Ser desde cedo afetado por ultraprocessado vai levar esse corpo a muitas outras doenças crônicas”, alerta.

Mudanças possíveis na rotina

Casos individuais mostram que a reversão desse quadro é possível, embora exija acompanhamento e mudança de hábitos. O estudante Luan Bernardo Marques Gama, de 13 anos, foi diagnosticado com pré-diabetes após consumo frequente de produtos ultraprocessados.

“Eu era tipo uma formiga. Era bala, chocolate, presunto, suco de caixinha, refrigerante, aqueles biscoitos.”

A mãe, Cecília Marques, relata que a família precisou reorganizar a alimentação após o diagnóstico, somando a outros problemas de saúde. Com orientação profissional, Luan passou a integrar um programa de acompanhamento voltado a jovens com sobrepeso ou obesidade.

A nutricionista Ana Rosa da Costa explica que o processo envolve educação alimentar e participação da família. “As compras são um processo dessa educação nutricional, leitura de rótulo, ver também que a criança consegue fazer esporte. O Luan aderiu supercerto. Ele demorou apenas um ano dentro do programa e recebeu alta”, afirma.

O avanço dos ultraprocessados segue como um dos principais desafios da alimentação contemporânea no Brasil, com efeitos que ultrapassam o campo individual e alcançam o sistema de saúde, a economia e as políticas públicas.

Fonte: Agência Brasil
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31 de março de 2026 0 comentário
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Dieta cetogênica entra no debate sobre saúde mental, mas evidências ainda são limitadas
Alimentação

Dieta cetogênica entra no debate sobre saúde mental, mas evidências ainda são limitadas

por Esteticare 24 de março de 2026
escrito por Esteticare

A busca por alternativas no tratamento de transtornos mentais tem levado pacientes e pesquisadores a olhar com mais atenção para a alimentação. Entre as abordagens que ganharam espaço nos últimos anos está a dieta cetogênica, conhecida pelo alto consumo de gorduras e pela restrição de carboidratos. Embora tradicionalmente associada à perda de peso e ao controle da epilepsia, a estratégia alimentar passou a ser investigada também por seus possíveis efeitos no cérebro.

O interesse não surge por acaso. Casos individuais ajudam a impulsionar a discussão. A neurocientista Maya Schumer, de 32 anos, relatou ter convivido por mais de uma década com transtorno bipolar, enfrentando episódios persistentes de pânico, mania e depressão, mesmo após diferentes tratamentos com terapia e medicamentos. Em 2024, segundo ela, a situação chegou ao ponto mais crítico. Foi nesse contexto que decidiu testar a dieta cetogênica, por recomendação médica.

Após cinco meses com uma alimentação baseada em carnes, gorduras e baixa ingestão de carboidratos, ela observou redução nos ataques de pânico e melhora na concentração. A depressão, no entanto, só cedeu após a introdução de uma dose baixa de lítio. Combinando dieta e medicação, Schumer afirma que passou a se sentir mais estável.

O que caracteriza a dieta cetogênica

Criada na década de 1920 como tratamento para epilepsia, a dieta cetogênica tem como princípio induzir o corpo a um estado metabólico chamado cetose. Nesse processo, o organismo deixa de usar carboidratos como principal fonte de energia e passa a queimar gordura.

Para alcançar esse efeito, a alimentação prioriza itens como ovos, carnes, peixes, manteiga, castanhas e vegetais com baixo teor de amido, como folhas verdes e couve-flor. Em contrapartida, alimentos como arroz, pão, massas, açúcar, batata e a maior parte das frutas são reduzidos ou eliminados.

Segundo pesquisadores da área de psiquiatria metabólica, essa mudança pode estabilizar os níveis de açúcar no sangue e influenciar processos inflamatórios e químicos no cérebro, o que levantou hipóteses sobre possíveis impactos na saúde mental.

Estudos sugerem melhora, mas com limitações

Apesar do crescente interesse, as evidências científicas ainda são consideradas iniciais. Um dos primeiros indícios surgiu em 2017, quando um estudo de caso relatou melhora significativa em dois pacientes com transtorno esquizoafetivo após a adoção da dieta. Os sintomas teriam retornado rapidamente após a interrupção do regime alimentar.

Mais recentemente, ensaios pequenos trouxeram novos dados. Em um estudo de 2024 com 23 adultos diagnosticados com esquizofrenia ou transtorno bipolar, os sintomas apresentaram melhora média de 31% após quatro meses de dieta. Já uma pesquisa publicada em 2025, com 16 universitários com depressão maior, indicou redução de cerca de 70% nos sintomas após 10 a 12 semanas.

Há, no entanto, ressalvas importantes. Muitos participantes desses estudos também perderam peso e apresentaram melhora em indicadores físicos, como pressão arterial e inflamação. Esses fatores, por si só, podem influenciar o funcionamento cerebral e o bem-estar geral.

Outro ponto é a ausência de grupos de controle em parte das pesquisas. Isso dificulta separar o efeito direto da dieta de possíveis influências psicológicas, como o efeito placebo.

Um estudo mais robusto, publicado em fevereiro e conduzido com 88 pessoas com depressão clínica, incluiu essa comparação. Os participantes foram divididos entre um grupo que seguiu a dieta cetogênica e outro que apenas adotou hábitos alimentares mais saudáveis. Embora o grupo cetogênico tenha apresentado melhora maior, a diferença foi considerada pequena.

Riscos, desafios e necessidade de acompanhamento

Enquanto novas pesquisas estão em andamento, especialistas mantêm uma posição cautelosa. Um dos principais alertas envolve o risco de pacientes abandonarem tratamentos convencionais ao perceberem alguma melhora inicial com a dieta. Isso pode levar à piora dos sintomas ou até a crises graves.

Há também preocupações com os efeitos físicos de longo prazo. Versões populares da dieta costumam ser ricas em gorduras saturadas e pobres em fibras, o que pode aumentar o risco de doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer.

Outro obstáculo é a adesão. A restrição alimentar é significativa e exige mudanças profundas no dia a dia, incluindo preparo frequente de refeições e eliminação de alimentos comuns na rotina brasileira, como arroz, feijão e frutas.

Diante desse cenário, a recomendação é clara entre os profissionais: qualquer tentativa de adotar a dieta cetogênica deve ser feita com acompanhamento médico. O monitoramento permite ajustes, inclusive em medicações, e reduz riscos associados a mudanças bruscas.

A relação entre alimentação e saúde mental segue como um campo promissor, mas ainda em construção. Por enquanto, a dieta cetogênica aparece mais como um possível complemento do que como substituição dos tratamentos já consolidados.

Fonte: Folha de São Paulo
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24 de março de 2026 0 comentário
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Medicamentos para emagrecer com semaglutida e tirzepatida exigem cuidado com alimentação e massa muscular
Alimentação

Medicamentos para emagrecer com semaglutida e tirzepatida exigem cuidado com alimentação e massa muscular

por Esteticare 3 de março de 2026
escrito por Esteticare

O avanço de medicamentos injetáveis para emagrecimento, conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras, alterou o tratamento da obesidade no Brasil. Fármacos à base de semaglutida e tirzepatida passaram a integrar protocolos clínicos após demonstrarem resultados expressivos na redução de peso corporal. Estudos apontam que pacientes podem eliminar entre 15% e 20% do peso inicial ao longo de um ano.

O efeito ocorre porque essas substâncias atuam em hormônios ligados ao controle da fome, como o GLP-1, aumentando a sensação de saciedade e retardando o esvaziamento gástrico. A ingestão alimentar diminui de forma significativa. Na prática, o paciente sente menos fome e passa a consumir menos calorias.

O desafio começa quando a redução do apetite leva também à piora da qualidade da dieta. Ao comer menos, parte das pessoas deixa de atingir a quantidade mínima de proteínas, fibras, vitaminas e minerais necessários ao funcionamento do organismo. O número na balança cai, mas nem sempre da maneira mais adequada.

Perda de massa muscular preocupa especialistas

A atenção da comunidade médica deixou de estar restrita ao peso total eliminado. A composição corporal passou a ser o foco. Pesquisas recentes indicam que até 40% do peso perdido com o uso dessas medicações pode corresponder à massa muscular, e não apenas à gordura.

A redução de músculos traz consequências relevantes. A força física diminui, o metabolismo desacelera e a manutenção do peso a longo prazo se torna mais difícil. Quanto menor a massa muscular, menor tende a ser o gasto energético basal. Esse cenário pode favorecer o reganho de peso após a interrupção do tratamento.

A nutricionista Larissa Luna, parceira da marca A Tal da Castanha, chama atenção para o risco de uma alimentação insuficiente durante o uso dos medicamentos. “O risco é perder peso com uma alimentação incompleta, sem o que é necessário para sustentar o corpo”, explica a especialista.

Segundo ela, a diminuição do volume de comida exige planejamento ainda mais rigoroso. Cada refeição precisa concentrar qualidade nutricional. Não basta comer pouco, é preciso comer melhor.

Três pilares para preservar músculos no emagrecimento

Profissionais de saúde defendem que o tratamento medicamentoso seja acompanhado de mudanças estruturais no estilo de vida. Três pontos são considerados fundamentais para reduzir a perda de massa magra.

O primeiro é o consumo adequado de proteínas. Carnes, ovos, laticínios, leguminosas e, quando necessário, suplementos proteicos devem ser distribuídos ao longo do dia. A proteína fornece os aminoácidos essenciais para a manutenção dos músculos.

O segundo pilar é o exercício físico, com ênfase em atividades de força, como musculação. O estímulo mecânico sinaliza ao organismo que aquela musculatura precisa ser preservada. Sem esse estímulo, o corpo tende a utilizar o tecido muscular como fonte de energia durante o déficit calórico.

O terceiro ponto é a hidratação. Há relatos de redução na sensação de sede entre usuários dessas medicações. A ingestão insuficiente de água pode favorecer quadros de constipação intestinal e desidratação. Manter o consumo regular de líquidos ajuda no funcionamento do organismo como um todo.

Guia orienta pacientes em uso de análogos de GLP-1

Com o aumento da procura por terapias com análogos de GLP-1, empresas do setor alimentício passaram a produzir materiais educativos voltados a esse público. A Positive Co., responsável pelas marcas A Tal da Castanha e Plant Power, lançou o e-book gratuito “Nutrição Consciente: o guia completo para o emagrecimento saudável durante o uso de análogos de GLP-1”.

O material foi elaborado por Larissa Luna e apresenta orientações sobre o funcionamento das medicações e estratégias práticas para organizar a alimentação com apetite reduzido. O conteúdo inclui 10 receitas pensadas para garantir aporte adequado de nutrientes mesmo em refeições menores.

O guia está disponível gratuitamente no link oficial da marca. A proposta é oferecer suporte complementar ao acompanhamento médico e nutricional, reforçando que o uso de semaglutida e tirzepatida não dispensa orientação profissional.

A consolidação dessas medicações no tratamento da obesidade representa um avanço terapêutico relevante. Ainda assim, especialistas reforçam que a eficácia e a segurança do processo dependem da combinação entre medicamento, alimentação equilibrada e prática regular de exercícios. Emagrecer continua sendo mais do que reduzir números na balança, envolve preservar saúde metabólica e funcionalidade ao longo do tempo.

Fonte: Portal Terra
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3 de março de 2026 0 comentário
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Porções menores ganham espaço nos restaurantes dos EUA com avanço dos remédios para emagrecimento
Alimentação

Porções menores ganham espaço nos restaurantes dos EUA com avanço dos remédios para emagrecimento

por Esteticare 24 de fevereiro de 2026
escrito por Esteticare

As porções fartas que por décadas marcaram a gastronomia dos Estados Unidos começam a perder espaço. Restaurantes de diferentes perfis, das grandes redes aos endereços independentes, vêm reduzindo o tamanho dos pratos como resposta a dois movimentos simultâneos. De um lado, o aumento persistente do custo de vida e da operação do setor. De outro, a expansão do uso de medicamentos para perda de peso, que reduzem o apetite e mudam o comportamento do consumidor.

A oferta de pratos principais menores, muitas vezes descritos como versões leves ou intermediárias, surge também como estratégia para atrair clientes com orçamento mais restrito, interessados em refeições mais baratas e menos calóricas. A mudança já aparece de forma concreta em grandes cadeias nacionais.

A rede de culinária asiática PF Chang’s, que opera cerca de 200 unidades no país, lançou no ano passado uma porção média para seus pratos principais. O movimento busca acomodar tanto clientes que querem gastar menos quanto aqueles que não desejam refeições muito volumosas.

No segmento de fast food, o ajuste também está em curso. O KFC vem revisando o tamanho das porções e a textura de seus produtos nas aproximadamente 4.000 lojas que mantém nos Estados Unidos. Segundo Chris Turner, presidente-executivo da Yum Brands, a adaptação faz parte de um esforço mais amplo para lidar com a desaceleração do consumo.

Custos elevados e menos clientes

O contexto econômico ajuda a explicar a mudança. O setor de restaurantes acumula cinco meses consecutivos de queda no fluxo de clientes e nas vendas, de acordo com a empresa de pesquisa de mercado Black Box Intelligence. A combinação de inflação persistente, salários pressionados e aumento nos preços de insumos afeta diretamente a rentabilidade dos estabelecimentos.

Além de custos maiores com energia e mão de obra, os restaurantes lidam com valores historicamente altos da carne bovina. Agora, enfrentam também uma transformação no padrão de consumo associada ao uso crescente de medicamentos para emagrecimento à base de GLP-1, conhecidos por suprimir o apetite. Analistas avaliam que a redução das porções pode ser uma resposta direta a esse novo cenário.

Estimativas do instituto de pesquisa Rand indicam que quase 12% dos norte-americanos já utilizam esse tipo de medicamento. Um levantamento da Morning Consult mostrou que esses usuários tendem a cozinhar mais em casa e a pedir menos comida quando frequentam restaurantes.

Redes tradicionais aderem ao novo formato

A mudança chegou também a marcas conhecidas pelo excesso. A rede italiana Olive Garden, famosa pela oferta ilimitada de sopa ou salada e pães, incluiu no mês passado sete itens em tamanhos reduzidos no cardápio de seus cerca de 900 restaurantes no país.

Para JP Frossard, analista de alimentos de consumo do Rabobank, o caminho é direto. “A resposta óbvia é reduzir as porções”, afirmou. “Reduzir as porções pode tornar os cardápios mais acessíveis e trazer os clientes de volta e isso também se encaixa bem com a questão do GLP-1”, acrescentou.

Historicamente, o tamanho das porções nos Estados Unidos cresceu de forma acelerada ao longo do século 20, impulsionado pela industrialização do pós-guerra e pelo barateamento de ingredientes como milho, trigo, açúcar, carne e óleos vegetais. Um estudo publicado em 2024 na revista Foods apontou que as porções consumidas no país eram, em média, 13% maiores do que as da França.

Especialistas em saúde pública há anos associam essa “distorção das porções” ao desperdício de alimentos e ao avanço da obesidade. O atual secretário de Saúde dos EUA, Robert F. Kennedy Jr., recomendou recentemente que os americanos aumentem o consumo de proteínas, reduzam açúcar e ultraprocessados e “prestem atenção ao tamanho das porções” dentro da política Make America Healthy Again.

Consumidor sinaliza apoio à mudança

Pesquisas indicam que o público está disposto a aceitar a transformação. Um levantamento de 2024 da National Restaurant Association mostrou que 75% dos clientes preferem porções menores por um preço mais baixo.

Esse dado levou a rede de frutos do mar Angry Crab Shack a lançar um cardápio de almoço com cestas reduzidas de bacalhau empanado, cheeseburgers e sanduíches de lagosta frita com batatas. “Foi feito para oferecer preços mais acessíveis”, comentou Andy Diamond, presidente da rede.

Em Nova York, o restaurante italiano Tucci foi além. O estabelecimento criou no ano passado um chamado “cardápio Ozempic”, disponível sob solicitação. Nele, itens como almôndegas ou arancini são servidos individualmente, em vez da porção tradicional de três, por pouco mais de um terço do preço.

“Não estou defendendo os GLP-1. O que estou defendendo é que o cliente decida o que é certo para ele”, declarou Max Tucci, fundador do restaurante. “O apetite deles está reduzido e não queremos que saiam se sentindo estufados e como se tivessem desperdiçado comida”.

Mesmo assim, Tucci reconhece que ainda existe um público fiel às grandes porções que caracterizam os restaurantes ítalo-americanos. O desafio, agora, é equilibrar tradição, custos e um novo padrão de consumo que parece ter vindo para ficar.

Fonte: Folha de São Paulo
Foto: https://br.freepik.com/fotos-premium/pena-de-injeccao-de-insulina-ou-caneta-de-cartucho-de-insulina-para-diabeticos-e-perda-de-peso_412398850.htm

24 de fevereiro de 2026 0 comentário
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Fibras na alimentação ganham destaque por impacto na saúde do cérebro e na longevidade
Alimentação

Fibras na alimentação ganham destaque por impacto na saúde do cérebro e na longevidade

por Esteticare 3 de fevereiro de 2026
escrito por Esteticare

Uma alimentação baseada em grãos integrais, frutas, leguminosas, nozes e sementes, alimentos reconhecidos pelo alto teor de fibras, tem sido associada a benefícios amplos para o organismo. Pesquisas recentes indicam que esse padrão alimentar contribui não apenas para a saúde metabólica, mas também para o funcionamento cerebral, com possível efeito na prevenção do declínio cognitivo ao longo da vida.

Os estudos apontam que as fibras influenciam diretamente o microbioma intestinal e fortalecem o eixo intestino cérebro, sistema responsável pela comunicação entre os dois órgãos. Essa interação tem sido considerada fundamental para processos que envolvem memória, humor e envelhecimento saudável.

A ampliação do consumo desse nutriente aparece como uma das mudanças alimentares com maior impacto na saúde cognitiva. Segundo Karen Scott, professora de microbiologia intestinal no Rowett Institute, da Universidade de Aberdeen, na Escócia, a deficiência de fibras está entre os principais fatores de risco relacionados à alimentação.

Mesmo com evidências consistentes, grande parte da população ainda consome quantidades abaixo do recomendado. Especialistas indicam cerca de 30 gramas por dia. Nos Estados Unidos, aproximadamente 97% dos homens e 90% das mulheres ingerem menos fibras do que o ideal. O Reino Unido apresenta cenário semelhante, com mais de 90% dos adultos abaixo da recomendação, situação também observada em diversos outros países.

Como as fibras atuam no organismo

A fibra é um tipo de carboidrato que não é facilmente degradado pelas enzimas digestivas. Por essa característica, atravessa o sistema digestivo quase intacta, promovendo benefícios importantes. Entre eles estão o aumento do volume fecal, a melhora do trânsito intestinal e a manutenção da sensação de saciedade por mais tempo.

A digestão mais lenta também ajuda a reduzir picos de glicose no sangue. Pesquisas indicam que pessoas que consomem mais grãos integrais costumam apresentar menor índice de massa corporal e menor acúmulo de gordura abdominal quando comparadas às que priorizam alimentos refinados.

O consumo adequado de fibras também se relaciona à expectativa de vida. John Cummings, professor emérito de gastroenterologia experimental da Universidade de Dundee, afirma que o nutriente deve ser tratado como essencial para a saúde. Uma revisão científica da qual ele participou apontou que indivíduos com maior ingestão apresentaram risco de mortalidade entre 15% e 30% menor em comparação com aqueles que consumiam menos fibras.

O estudo ainda associou o consumo adequado à redução do risco de doença coronariana, acidente vascular cerebral, diabetes tipo 2 e câncer colorretal, o que representa 13 mortes a menos para cada mil pessoas avaliadas. Os melhores resultados foram observados em dietas com ingestão diária entre 25 e 29 gramas.

Exemplos simples mostram como alcançar esses níveis. Uma batata assada com casca acompanhada de feijão e uma maçã pode fornecer cerca de 15,7 gramas de fibras. Um punhado de nozes, aproximadamente 30 gramas, acrescenta 3,8 gramas ao total diário.

Os efeitos positivos estão ligados à ação das bactérias intestinais. Ao digerirem as fibras, esses microrganismos produzem ácidos graxos de cadeia curta, como acetato, propionato e butirato. Segundo Cummings, esses compostos fornecem energia às células e estão associados à redução da mortalidade.

Relação entre fibras e saúde cerebral

O impacto das fibras também alcança o sistema nervoso. Scott explica que o butirato contribui para a manutenção da barreira intestinal, dificultando a passagem de substâncias nocivas para a corrente sanguínea e, consequentemente, para o cérebro.

“Quanto mais fibras você consome, mais butirato é produzido, e melhor a cognição pode ser preservada.”

Pesquisas reforçam essa associação. Um estudo publicado em 2022 com mais de 3.700 adultos identificou que maiores níveis de ingestão de fibras estavam relacionados a menor risco de demência. Outro levantamento com pessoas acima dos 60 anos indicou melhor desempenho cognitivo entre participantes com dietas mais ricas nesse nutriente.

Embora muitos resultados sejam observacionais, um ensaio clínico randomizado envolvendo pares de gêmeos indicou possível relação causal. Participantes que ingeriram suplemento de fibra prebiótica diariamente apresentaram melhor desempenho em testes cognitivos após três meses, em comparação com aqueles que receberam placebo. A análise das amostras fecais mostrou aumento de bactérias benéficas, incluindo Bifidobacterium.

Mary Ni Lochlainn, professora clínica de medicina geriátrica no King’s College London, liderou a pesquisa e destacou o potencial da alimentação na preservação da memória em idosos. “O mais empolgante no microbioma é que ele é maleável, e certos microrganismos parecem estar associados positivamente à saúde.”

Ela acrescenta que compreender o funcionamento da microbiota pode ajudar a reduzir impactos do envelhecimento físico e cognitivo. “É um recurso pouco explorado, e uma área ainda pouco estudada, sobre a qual estamos aprendendo cada vez mais”, afirmou, ressaltando que isso pode “tornar o envelhecimento mais fácil”.

Estudos adicionais relacionam a produção elevada de butirato à melhora do sono, à redução de sintomas depressivos e ao bem-estar geral. Pesquisadores também identificaram que pacientes com doença de Alzheimer apresentaram maior presença de marcadores inflamatórios e menor quantidade de bactérias produtoras desse composto.

Estratégias para aumentar o consumo

Especialistas destacam que pessoas com maior longevidade e melhor qualidade de vida tendem a apresentar microbiomas mais diversos. A variedade de fibras na alimentação contribui diretamente para essa diversidade.

O aumento do consumo pode ser feito com mudanças simples, como incluir leguminosas, entre elas feijão, ervilha e lentilha, em preparações diárias. Outra alternativa é substituir produtos refinados por versões integrais ou combinar os dois tipos gradualmente.

Lanches como pipoca, frutas, sementes e oleaginosas ajudam a elevar a ingestão total. Em alguns casos, suplementos podem ser indicados, especialmente para pessoas com dificuldades de mastigação ou deglutição.

Para Scott, o impacto do nutriente na saúde é significativo. “Aumentar o consumo de fibras é realmente a coisa mais benéfica que as pessoas podem fazer” pela saúde geral.

Fonte: Folha de São Paulo
Foto: https://br.freepik.com/fotos-gratis/fechar-uma-tigela-de-sementes-de-chia-e-outros-alimentos-saudaveis-na-mesa-da-cozinha_48614745.htm

3 de fevereiro de 2026 0 comentário
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Alimentos frescos devem ficar mais caros que ultraprocessados em 2026
Alimentação

Alimentos frescos devem ficar mais caros que ultraprocessados em 2026

por Esteticare 13 de janeiro de 2026
escrito por Esteticare

Manter uma alimentação considerada saudável tende a pesar mais no bolso a partir de 2026. Uma projeção elaborada pela Universidade Federal de Minas Gerais em parceria com o Instituto de Defesa do Consumidor indica que, pela primeira vez, os alimentos in natura ou minimamente processados devem ultrapassar, em média, o preço dos produtos ultraprocessados. O estudo analisou a evolução dos valores praticados no país desde o início da pandemia de Covid-19, em 2020, e aponta uma tendência de longo prazo que preocupa especialistas em saúde pública e economia.

De acordo com a pesquisa, itens como frutas, legumes, verduras e alimentos básicos frescos têm sido impactados por uma combinação de fatores estruturais. Custos de transporte, armazenamento, logística e combustível influenciam diretamente os preços finais desses produtos. Já os ultraprocessados, além de terem maior durabilidade e facilidade de distribuição, são baseados em commodities como milho e soja, que contam com incentivos fiscais e cadeias produtivas altamente subsidiadas no Brasil.

Para a nutricionista e pesquisadora do Idec, Ana Maria Maya, o debate sobre alimentação saudável precisa considerar o peso do custo no cotidiano das famílias. “Muitos profissionais de saúde diziam que ter uma alimentação saudável era uma questão de escolha”, afirma. “Mas isso não é verdade. Em uma população socioeconomicamente vulnerável, como o Brasil, precisamos considerar que o custo vai ser determinante para as escolhas alimentares”.

Preço, renda e insegurança alimentar

A elevação relativa dos alimentos frescos ocorre em um cenário marcado por informalidade no mercado de trabalho e instabilidade financeira. O professor de economia Valter Palmieri Jr., doutor em Desenvolvimento Econômico, explica que essas condições reduzem a capacidade de planejamento das famílias e afetam diretamente a dieta. “Quando os preços dos alimentos sobem, famílias mais vulneráveis perdem liberdade de escolha alimentar, o que reduz a variedade da dieta e aumenta a ansiedade em relação à comida, criando um ambiente propício ao sofrimento psíquico associado à alimentação”, diz.

Segundo ele, o ambiente econômico, cultural e social no Brasil favorece o consumo de ultraprocessados por diferentes vias. O preço mais baixo é apenas uma delas. A ampla oferta, a facilidade de acesso em qualquer região e o marketing agressivo tornam esses produtos ainda mais presentes no dia a dia. Paralelamente, a publicidade reforça padrões corporais idealizados e pouco realistas. “São incentivos contraditórios, que ampliam lucros, mas geram custos ocultos e pioram nossa relação e nosso comportamento com a comida”, avalia o economista.

A questão não se limita à renda ou à informação nutricional. Mesmo consumidores conscientes enfrentam barreiras concretas para manter uma alimentação equilibrada quando os preços dos alimentos frescos sobem acima da inflação média. O resultado, apontam os pesquisadores, é a substituição gradual por opções mais baratas, calóricas e pobres em nutrientes.

Ultraprocessados, compulsão e cuidado no discurso

A psiquiatra Nicole Rezende, pesquisadora e colaboradora do Ambulatório Integrado dos Transtornos do Impulso do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP, destaca outro aspecto relevante. Segundo ela, alimentos ultraprocessados possuem potencial adictivo. São desenvolvidos para serem hiperpalatáveis e concentram grandes quantidades de açúcar, sal, gordura e aditivos químicos, o que dificulta a moderação no consumo.

“Quanto mais fácil acessar um produto processado, com um ambiente que facilita isso, mais automáticas se tornam essas escolhas e pode-se observar um padrão semelhante ao das dependências químicas, em que a pessoa tenta reduzir o consumo mas não consegue. O cérebro fica muito exposto realmente a pistas que disparam essa vontade o tempo todo”. Esse cenário aumenta o risco de compulsão alimentar e a sensação de perda de controle.

Nicole ressalta, porém, que o enfrentamento do problema exige cuidado para não transformar a alimentação em um campo moral. “Isso pode gerar uma moralização, como se comer fosse errado, em vez de focar os alvos reais, que seriam design do produto, marketing, disponibilidade e custo”, afirma. Para ela, o pensamento de tudo ou nada tende a ampliar o sofrimento, reforçando ciclos de restrição, fissura, perda de controle e culpa.

Diante desse quadro, especialistas defendem políticas públicas que estimulem a produção e o consumo de alimentos in natura ou minimamente processados. Ana Maria Maya lembra que há anos a sociedade civil e organizações do terceiro setor pressionam por medidas desse tipo. Ainda assim, a recente reforma tributária criou o chamado imposto do pecado apenas para bebidas alcoólicas e adocicadas, sem prever incentivos fiscais capazes de reduzir o preço dos ultraprocessados ou tornar os alimentos frescos mais acessíveis para a população.

Fonte: Folha de São Paulo
Foto: https://br.freepik.com/fotos-gratis/vista-superior-de-uma-variedade-de-vegetais-frescos_12418301.htm

13 de janeiro de 2026 0 comentário
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Lancheira fit
Alimentação

Lancheira fit: Quais alimentos deve conter

por Esteticare 20 de outubro de 2024
escrito por Esteticare

Uma lancheira fit remete à importância da alimentação saudável na infância

Com a correria do dia a dia em famílias que levantam cedo, e tem que levar os filhos à escola e em seguida irem trabalhar, podem optar por colocar alimentos ultraprocessados nas lancheiras das crianças. Mas, o que pode parecer a opção mais rápida em vista do cotidiano agitado, pode contribuir de modo negativo no desenvolvimento físico e cognitivo de seus filhos.

De acordo com o dados do Ministério da Saúde, 10% das crianças brasileiras entre 5 e 10 anos estão acima do peso. O índice deve-se ao consumo regular de alimentos ultraprocessados, impactando diretamente na saúde infantil. E o resultado é menos energia e maior predisposição a problemas de saúde. Portanto, é de suma importância que os pais proporcionem hábitos alimentares saudáveis a seus filhos desde os primeiros anos de vida.

Lancheira fit

Diante desses números, é preciso gerar aos pequenos uma alimentação equilibrada, rica em variedade de grupos alimentares. Tal variedade garante que as crianças recebam a quantidade ideal de proteínas, carboidratos e frutas, e também de outros nutrientes necessários.

Com um cardápio semanal em mãos é possível prevenir excessos e facilitar a organização diária dos pais e montar uma lancheira fit.

Escolha dos alimentos

Além disso, os pais podem incluir a criança na seleção dos alimentos que irão compor a lancheira, pois assim pode aumentar a aceitação dos mesmos. Optar por alimentos que a criança já consome em casa reduz a chance de rejeição. Um exemplo é inserir pães variados com patês, bem como sucos naturais e água de coco para acompanhar as refeições.

Preparação

Alimentos essenciais: Inclua uma bebida, uma fruta, um carboidrato e uma proteína.

Bebidas saudáveis: Opte por chás, sucos naturais ou água de coco, mantendo a água como a escolha principal.

Frutas acessíveis: Elas já devem estar cortadas e descascadas para serem mais atraentes às crianças.

Pães variados: Varie entre pão francês, de forma ou de milho. Escolha recheios saudáveis.

Petiscos saudáveis: Frutas secas, mix de castanhas e cereais sem açúcar são opções nutritivas.

Suplementação na alimentação infantil

Por outro lado, é preciso destacar também que, em alguns casos, a suplementação infantil se faz necessária, principalmente para crianças que rejeitam determinados alimentos ou que apresentam peso e altura abaixo da média. Contudo, esse tipo de intervenção deve ser orientado por um pediatra ou nutricionista, após uma avaliação detalhada.

Prática de atividade física

Por fim, a criança, além de se alimentar saudável, também deve ter contato desde cedo com a prática de atividade física e momentos ao ar livre. Tudo isso pode contribuir para um desenvolvimento saudável, gerando um estilo de vida equilibrado desde os primeiros anos de vida.

Fonte: Foto de rawpixel.com na Freepik

20 de outubro de 2024 0 comentário
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