A chegada da primavera modifica as condições ambientais às quais a pele fica exposta. Com temperaturas mais altas, aumento da transpiração e maior contato com a radiação solar, algumas pessoas podem perceber mudanças na oleosidade, hidratação ou sensibilidade. Por isso, a estação pode ser um momento adequado para observar a resposta da pele e avaliar possíveis ajustes na rotina de skincare.
Apesar disso, a mudança de estação não exige uma substituição completa dos produtos utilizados diariamente. Para o médico Octávio Guarçoni, que atua na área de medicina estética, os cuidados precisam considerar as características individuais e a maneira como cada pele reage às alterações de temperatura e umidade.
“A mudança de estação não significa que todos os produtos precisam ser substituídos. O que acontece é que fatores ambientais, como aumento da temperatura, maior transpiração e exposição solar mais frequente, podem modificar o comportamento da pele. Em algumas pessoas, isso se traduz em aumento da oleosidade; em outras, pode haver ressecamento ou maior sensibilidade”, explica.
Limpeza e hidratação continuam importantes
O aumento da transpiração durante os períodos mais quentes pode levar algumas pessoas a intensificar a limpeza do rosto. No entanto, lavar a pele muitas vezes ao dia ou utilizar produtos muito agressivos pode prejudicar a barreira cutânea, responsável por ajudar na proteção contra agentes externos e na manutenção da hidratação.
Por isso, a limpeza deve ser adequada às necessidades de cada pele, sem excesso. A hidratação também permanece entre os cuidados básicos, inclusive para quem apresenta tendência à oleosidade. A escolha do produto pode variar conforme as características individuais, mas retirar completamente esse cuidado da rotina não é uma consequência necessária da chegada da primavera.
Proteção solar ganha atenção redobrada
A fotoproteção faz parte dos cuidados com a pele durante todo o ano, mas o aumento da exposição solar na primavera reforça a necessidade de manter esse hábito. A radiação ultravioleta está relacionada ao fotoenvelhecimento, ao surgimento e agravamento de manchas e a outros danos cutâneos.
Nesse período, além de escolher um protetor solar adequado, é importante observar a quantidade utilizada e realizar a reaplicação conforme o nível de exposição ao longo do dia. Pessoas que passam mais tempo ao ar livre precisam considerar esse cuidado dentro da rotina.
“Quando falamos em primavera, a fotoproteção precisa ser tratada como uma estratégia de prevenção, e não apenas como um cuidado estético”, afirma Guarçoni. Segundo o médico, a atenção deve ser ainda maior para pessoas com tendência a manchas ou que estejam realizando tratamentos dermatológicos e estéticos.
Excesso de ativos pode irritar a pele
A troca de estação também pode estimular mudanças na rotina de beleza. A tentativa de controlar a oleosidade ou melhorar a aparência da pele, entretanto, pode levar ao uso simultâneo de diversos produtos e ativos. Ácidos, esfoliantes e outras substâncias potencialmente irritantes exigem atenção, principalmente quando são combinados sem orientação.
Vermelhidão, ardência, descamação e aumento da sensibilidade podem indicar dificuldade de adaptação à rotina. Nesses casos, a quantidade de produtos utilizados não deve ser confundida com maior eficácia.
“Um dos principais erros no skincare é acreditar que uma rotina mais complexa necessariamente produzirá um resultado melhor. A pele possui uma barreira de proteção que precisa ser preservada, e o uso excessivo de ácidos, esfoliantes ou diferentes ativos pode provocar inflamação, irritação e comprometimento dessa barreira”, alerta.
Na prática, uma rotina de cuidados pode reunir limpeza, hidratação e proteção solar, além de produtos específicos quando houver necessidade. A indicação deve considerar o tipo de pele e seus objetivos.
Procedimentos estéticos pedem avaliação individual
A primavera também pode ser uma época de interesse por procedimentos estéticos, mas a maior exposição ao sol precisa entrar na avaliação. Tratamentos que promovem renovação da pele ou provocam sensibilidade temporária podem exigir cuidados específicos durante o período de recuperação.
Peelings, determinados tipos de laser e outras tecnologias podem demandar restrição à exposição solar e reforço da fotoproteção. Por isso, a indicação deve considerar o procedimento pretendido, as características da pele, o período necessário para recuperação e a rotina de exposição ao sol.
“O problema não está necessariamente em realizar um procedimento durante a primavera, mas em ignorar as condições da pele e a rotina de exposição ao sol daquele paciente”, explica Guarçoni.
Dessa forma, ajustar os cuidados com a pele na primavera não significa necessariamente ampliar ou substituir toda a rotina. A atenção aos sinais apresentados pela pele, a manutenção da hidratação e a proteção contra a radiação solar estão entre os pontos que devem ser considerados ao longo da estação.
Fonte: Correio do Povo
Foto: https://www.magnific.com/br/fotos-gratis/mulher-jovem-sorridente-com-toalhas_9616228.htm