O mercado de beleza e cuidados pessoais passa por uma transformação marcada por mudanças no comportamento dos consumidores, avanço tecnológico e necessidade de adaptação das empresas. O cenário foi debatido em um encontro promovido pela Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec), com a participação de representantes da indústria, plataformas digitais e órgãos reguladores.
Durante o evento, especialistas apontaram que o consumidor assumiu um papel mais ativo na relação com as marcas. A busca por produtos e serviços personalizados tem levado empresas do setor a rever estratégias de desenvolvimento, comunicação e distribuição.
A avaliação dos participantes é que o mercado de beleza não pode mais ser conduzido apenas por tendências sazonais ou lançamentos tradicionais. As decisões precisam considerar dados, preferências individuais e mudanças nos hábitos de compra.
Segundo os executivos presentes no encontro, a capacidade de compreender as necessidades específicas do público se tornou um diferencial para empresas que desejam ampliar a conexão com os consumidores.
Personalização transforma estratégias de cosméticos
A personalização foi um dos principais pontos discutidos durante o encontro da Abihpec. Para especialistas, o avanço de soluções digitais permite que a indústria de cosméticos desenvolva produtos e experiências cada vez mais alinhados às características de cada consumidor.
Ariadne Morais, diretora de Assuntos Regulatórios e Inovação da Abihpec, afirmou que colocar o consumidor no centro da inovação exige mudanças na forma como as empresas trabalham com informações e desenvolvem novos modelos.
“Inserir o consumidor no centro da inovação exige adequar o ecossistema de dados e avançar com firmeza em pautas modernas, como a personalização e o fracionamento de cosméticos”, avaliou Ariadne Morais.
A especialista destacou que a utilização estratégica de dados se tornou uma ferramenta importante para acompanhar o novo perfil do consumidor. Com informações mais precisas, empresas conseguem identificar preferências e criar soluções mais adequadas às demandas do público.
A busca por conveniência também aparece como um dos fatores que influenciam o comportamento de compra. A expansão de plataformas digitais para diferentes categorias ampliou as possibilidades de acesso a produtos de beleza, saúde e bem-estar.
Plataformas digitais ampliam acesso a produtos de beleza
Andreza Zacharias, head de Business Development do iFood, explicou que o avanço da conveniência digital levou plataformas a diversificarem suas operações. Segundo ela, a inclusão de segmentos como farmácias, cosméticos e petshops permite que usuários encontrem diferentes soluções em um mesmo ambiente.
Esse movimento acompanha uma mudança mais ampla no varejo, em que consumidores buscam praticidade, rapidez e experiências integradas. No setor de estética e beleza, a facilidade de acesso e a personalização dos serviços passaram a influenciar diretamente a decisão de compra.
A digitalização também abriu espaço para novas formas de relacionamento entre marcas e clientes. O uso de dados, aplicativos e ferramentas de inteligência artificial passou a fazer parte das estratégias de empresas que buscam entender melhor o comportamento do público.
Inteligência artificial depende de informações confiáveis
A inteligência artificial foi outro tema central do debate. Embora seja apontada como uma tecnologia capaz de transformar processos e melhorar a experiência dos consumidores, especialistas destacam que sua eficiência depende da qualidade das informações utilizadas.
Felipe Stuff, diretor de Tecnologia e Produtos da Natura, ressaltou que a adoção de ferramentas de inteligência artificial precisa ser acompanhada por uma estrutura adequada de dados.
“Ferramentas mal alimentadas podem gerar interações ineficientes e, consequentemente, falham na missão de entender e atender o consumidor moderno”, explicou.
No setor de beleza, a inteligência artificial pode contribuir para recomendações personalizadas, análise de preferências e aprimoramento do relacionamento com clientes. Entretanto, o uso da tecnologia exige planejamento e cuidado para evitar respostas inadequadas ou experiências pouco eficientes.
Regulação acompanha mudanças tecnológicas
O crescimento de novas tecnologias também exige atenção dos órgãos reguladores. Durante o encontro, Daniel Pereira, da Quarta Diretoria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), destacou que a atuação da agência precisa seguir as regras estabelecidas para garantir segurança no mercado.
Daniel Pereira ressaltou que as transformações tecnológicas exigem capacitação contínua para acompanhar soluções inovadoras e novos modelos de negócio.
A discussão mostrou que o futuro do setor de beleza e estética será influenciado pela combinação entre inovação, conhecimento do consumidor e responsabilidade regulatória. Empresas que conseguirem unir tecnologia, personalização e qualidade tendem a responder melhor às novas expectativas do mercado.
Fonte: CNN Brasil
Foto: https://www.magnific.com/br/fotos-gratis/um-close-up-de-um-tratamento-de-beleza-elegante_21804797.htm