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“Heroin chic” volta ao debate na beleza e reacende discussão sobre padrões extremos
Moda

“Heroin chic” volta ao debate na beleza e reacende discussão sobre padrões extremos

por Esteticare 27 de maio de 2026
escrito por Esteticare

A estética conhecida como “heroin chic”, marcada por corpos extremamente magros, maquiagem borrada, aparência cansada e referências à cultura das drogas, voltou a circular nas redes sociais, editoriais de moda e tendências de beleza. O retorno do tema acontece justamente em um momento em que movimentos como body positive e neutralidade corporal ganharam espaço no debate público.

Popularizado nos anos 1990, o “heroin chic” ficou associado a modelos como Kate Moss, Jaime King e Jodie Kidd. O visual também foi impulsionado por fotógrafos como Corinne Day e Davide Sorrenti, que ajudaram a transformar a estética em símbolo de uma geração.

Na época, o estilo surgiu como contraponto ao excesso visual dos anos 1980. Em vez das cores vibrantes e da ostentação daquela década, o “heroin chic” apostava em uma aparência mais melancólica, imperfeita e próxima da ideia de desgaste emocional. O cenário cultural também favorecia esse imaginário. Filmes como Pulp Fiction, The Basketball Diaries e Trainspotting colocavam drogas e personagens autodestrutivos no centro da narrativa, enquanto bandas como Nirvana, Pearl Jam e Hole consolidavam a estética grunge no mainstream.

Críticas mudaram os rumos da moda

O debate em torno do “heroin chic” ganhou força após a morte de Davide Sorrenti, em 1997, vítima de overdose de heroína aos 22 anos. A mãe do fotógrafo, Francesca Sorrenti, publicou uma carta criticando a indústria da moda por romantizar o consumo de drogas e transformar o vício em um elemento aspiracional.

A repercussão ultrapassou o universo fashion. O então presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, criticou publicamente campanhas e editoriais que associavam fragilidade física e dependência química a algo “cool” ou desejável.

Com a pressão crescente, o mercado da moda passou a adotar outra imagem de beleza. A brasileira Gisele Bündchen tornou-se símbolo de um padrão considerado mais saudável naquele momento. Ainda assim, especialistas lembram que a valorização da magreza nunca deixou de existir. A diferença é que ela passou a aparecer em versões menos explícitas.

Durante os anos 2000, tendências como Y2K, indie sleaze e estética twee continuaram reforçando corpos muito magros como referência aspiracional. Celebridades como Paris Hilton e Lindsay Lohan ajudaram a consolidar esse imaginário, frequentemente associado à cultura das festas, da vida noturna e das “barrigas negativas”.

Redes sociais ampliam os códigos da estética

Especialistas em comportamento apontam que o contexto pós-pandemia ajudou a reativar códigos ligados ao “heroin chic”. A geração Z atravessou parte da juventude em isolamento, enfrentando crises econômicas, insegurança política e aumento das discussões sobre saúde mental.

Segundo analistas de tendências, esse cenário alimentou uma visão mais pessimista do futuro, refletida em comportamentos associados ao excesso, ao escapismo e à ideia de viver sem pensar tanto nas consequências. A estética melancólica voltou a ganhar força nesse ambiente digital.

Um dos exemplos mais citados é o retorno do cigarro como acessório de estilo, além da popularização dos vapes entre jovens. Séries como Euphoria também contribuíram para recolocar temas como drogas, dependência e autodestruição no centro da cultura pop contemporânea.

Na moda, a volta das calças de cintura baixa e das minissaias reforçou novamente a valorização de silhuetas extremamente magras. Na maquiagem, cresceram tendências que simulam aparência cansada, olhos borrados e olheiras marcadas. Tutoriais ensinando a criar “dark circles makeup” acumulam milhões de visualizações em plataformas como TikTok.

Ao mesmo tempo, especialistas alertam para o crescimento de conteúdos que incentivam transtornos alimentares nas redes sociais. Um estudo publicado pela revista Pediatrics mostrou que as hospitalizações de adolescentes por anorexia e bulimia mais do que dobraram nos Estados Unidos durante o primeiro ano da pandemia.

Movimento body positive dificulta retorno ao mainstream

Apesar da reaproximação estética com elementos dos anos 1990, analistas acreditam que o “heroin chic” dificilmente retomará o mesmo espaço cultural que teve há três décadas.

A principal diferença estaria no acesso mais amplo às discussões sobre saúde mental, pressão estética e gordofobia. A geração Z convive diariamente com debates sobre aceitação corporal, diversidade e padrões irreais de beleza, especialmente nas redes sociais.

Outro ponto destacado é a forma como produções atuais tratam temas sensíveis. Em Euphoria, por exemplo, o vício da personagem Rue não aparece apenas como estética visual, mas também como um problema destrutivo, com consequências explícitas.

Influenciadores e criadores de conteúdo também passaram a questionar a ideia de transformar corpos em tendência. Nas redes sociais, parte das críticas ao retorno do “heroin chic” aponta justamente para a tentativa de usar discursos ligados ao body positive para legitimar a exaltação de traços físicos extremamente magros.

A influenciadora Dora Figueiredo comentou o tema em vídeos publicados nas redes sociais, criticando a narrativa de que “ser magro virou opressão”. Segundo ela, a indústria da beleza continua promovendo procedimentos estéticos e produtos voltados ao emagrecimento, o que demonstra que padrões corporais restritivos permanecem fortes.

No centro do debate está uma discussão mais ampla: enquanto corpos continuarem sendo tratados como tendência estética, padrões excludentes seguirão reaparecendo em diferentes formatos. É justamente por isso que especialistas defendem o fortalecimento da neutralidade corporal, conceito que propõe diminuir a centralidade da aparência física na construção da autoestima e da identidade social.

Fonte: Elle
Foto: https://www.magnific.com/br/fotos-gratis/jovem-mulher-moderna-com-o-olho-fechado-inclinando-a-cabeca-na-mao_3272238.htm

27 de maio de 2026 0 comentário
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Verão 2026 aposta em revisão de códigos e elegância funcional
Moda

Verão 2026 aposta em revisão de códigos e elegância funcional

por Esteticare 1 de janeiro de 2026
escrito por Esteticare

Entre 10 de setembro e 7 de outubro, Nova York, Londres, Milão e Paris concentraram os olhares do setor ao apresentar as coleções que definem as tendências de verão 2026. Foram semanas marcadas por 15 estreias de diretores criativos, mudanças estratégicas em casas históricas e um clima geral de reavaliação estética. Em vez de propostas radicais, a temporada sinalizou um movimento de maturação, com reinterpretações de códigos conhecidos, atenção ao corpo real e diálogo entre romantismo, funcionalidade e força visual.

Nos Estados Unidos, Nova York expôs dois caminhos claros. De um lado, marcas como Luar, Diotima e PatBo investiram em uma estética decorativa, com destaque para franjas, flores aplicadas e superfícies táteis. De outro, grifes tradicionais como Calvin Klein, Ralph Lauren e Tory Burch reforçaram o pragmatismo, apostando em alfaiataria precisa, ombros marcados e uma cartela de tons sóbrios. A proposta comum foi valorizar peças duráveis, com impacto visual sem excessos.

Londres manteve sua vocação experimental, mas com um tom mais contido. Rendas delicadas, transparências controladas e drapeados suaves apareceram como resposta ao excesso visual das últimas temporadas. A capital britânica trouxe uma sensação de pausa, com coleções que priorizam fluidez, leveza e uma elegância menos performática, sem abrir mão da identidade autoral de seus criadores.

Milão e o retorno da sensualidade equilibrada

A semana de moda de Milão concentrou algumas das estreias mais observadas do calendário. Demna apresentou sua primeira coleção para a Gucci por meio de lookbook e vídeo dirigido por Halina Reijn e Spike Jonze, enquanto Dario Vitale assumiu a Versace, propondo uma sensualidade mais direta e menos teatral. Louise Trotter, em sua estreia na Bottega Veneta, reforçou o valor da excelência material, com foco em construção e textura.

Nesse contexto, as tendências de verão 2026 ganharam contornos claros. O power dressing voltou à cena, agora com menos rigidez e mais conforto. A estética boudoir apareceu de forma refinada, sugerindo intimidade sem exagero. O loungewear também retornou, atualizado em tecidos nobres e cortes que transitam com facilidade entre o doméstico e o urbano.

Paris encerrou a temporada com o maior número de mudanças de comando. A estreia de Matthieu Blazy na Chanel inaugurou uma nova fase da maison, com releituras sutis dos códigos de Coco Chanel. Jonathan Anderson apresentou seu primeiro desfile feminino na Dior. Jack McCollough e Lazaro Hernandez assumiram a Loewe. Pierpaolo Piccioli levou sua sensibilidade para a Balenciaga. Duran Lantink reimaginou a Jean Paul Gaultier, adicionando uma camada de provocação ao debate criativo.

Transparência ganha novas camadas

Os tecidos translúcidos surgem como um dos pilares do verão 2026. A transparência aparece menos literal e mais construída. Na Khaite, a organza com aplicações cria relevo e movimento. Na Fendi, o chiffon amarelo revela o corpo de forma suave, em camadas leves. Já na Alexander McQueen, o tule rendado transforma a pele em elemento central do desenho, equilibrando sensualidade e sofisticação.

Franjas ampliam movimento e textura

As franjas retornam em versões gráficas e esculturais, adicionando ritmo às silhuetas. Na Alaïa, elas surgem como extensão arquitetônica das botas. A Louis Vuitton aposta em variações de cor e densidade, evocando superfícies orgânicas. Na Alexander McQueen, aparecem em vestidos e bolsas de couro cortado, com uma leitura mais ousada e noturna.

Branco domina a paleta

O branco se consolida como cor-chave da estação. Na Alaïa, ele estrutura volumes que alternam rigidez e fluidez. Na Balenciaga, aparece em propostas minimalistas, com foco no movimento. Já na Louis Vuitton, realça tecidos leves e formas amplas, reforçando a ideia de frescor e força visual.

Pijamas e laços completam o cenário

O pijama deixa o quarto e ganha as ruas com novas intenções. Tecidos acetinados e cortes relaxados propõem uma sensualidade mais tátil. Dolce & Gabbana investe em uma leitura noturna, Emporio Armani aposta em estampas florais leves, e Ferragamo traduz conforto em elegância contida. Os laços também se destacam. Na Dior, aparecem em diferentes escalas e funções. Na Louis Vuitton, ganham volume e protagonismo. Na Ralph Lauren, surgem de forma gráfica, afastando-se da delicadeza óbvia e reforçando o caráter contemporâneo da tendência.

Fonte: Elle
Foto: https://br.freepik.com/imagem-ia-premium/tres-mulheres-no-estilo-retro-dos-anos-80_378726187.htm

1 de janeiro de 2026 0 comentário
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Moda em evidência: os looks que definiram 2025 nas passarelas e fora delas
Moda

Moda em evidência: os looks que definiram 2025 nas passarelas e fora delas

por Esteticare 31 de dezembro de 2025
escrito por Esteticare

Em um ano marcado pela velocidade das redes sociais e pela força dos momentos virais, a moda voltou a ocupar espaço de destaque no debate público. Em 2025, roupas e acessórios não apenas acompanharam acontecimentos culturais, mas ajudaram a moldar narrativas, gerar engajamento e atravessar fronteiras entre entretenimento, política e identidade. Looks específicos se tornaram símbolos de causas, de estreias aguardadas ou de momentos pessoais que ganharam escala global. A seguir, um panorama das produções que mais repercutiram ao longo do ano.

A camiseta “Protect The Dolls” e a moda como posicionamento

Entre os itens mais comentados de 2025 está a camiseta “Protect The Dolls”, criada pelo estilista americano Conner Ives. A peça, com a frase que pode ser traduzida como “Proteja as Bonecas”, termo usado de forma afetiva para se referir a mulheres trans e travestis, foi pensada inicialmente para ser usada apenas pelo próprio designer ao final de seu desfile de inverno 2025. A repercussão levou à comercialização do item. Celebridades como Haider Ackermann, Pedro Pascal, Troye Sivan, Addison Rae, entre outros, passaram a vestir a camiseta. Vendida por US$ 99 (£ 75,00), toda a renda é destinada à Trans Lifeline, organização sem fins lucrativos sediada nos Estados Unidos, liderada por pessoas trans e focada em apoio comunitário e atendimento em crises.

Matthieu Blazy, Chanel e o olhar da primeira-dama

A estreia de Matthieu Blazy à frente da Chanel foi uma das mais aguardadas da temporada. O desfile, com cenografia de atmosfera intergaláctica, teve grande repercussão e foi impulsionado por momentos que circularam intensamente nas redes sociais, como a performance da modelo Awar Odhiang. A nova fase da maison chamou a atenção de Michelle Obama, que escolheu um look recém-apresentado na passarela para divulgar seu livro “The Look”, dedicado a reflexões sobre estilo, identidade e autorrepresentação. A escolha reforçou o alcance simbólico da coleção e ampliou seu impacto para além do circuito da moda.

Estreias, realeza e atenção total na Balenciaga

Outro début cercado de expectativa foi o de Pierpaolo Piccioli na Balenciaga. Após os convidados se acomodarem, a entrada de Meghan, Duquesa de Sussex, provocou reação imediata. Sentada ao lado de Tracee Ellis Ross, Meghan usava um conjunto monocromático em tom creme, com o anel de noivado de diamante como principal destaque. Registros feitos por outros convidados circularam rapidamente online, consolidando o momento como um dos mais comentados do desfile.

Sabrina Sato e um vestido com referência histórica

No Brasil, o casamento de Sabrina Sato com Nicolas Prattes também entrou para a lista de momentos marcantes da moda em 2025. Considerada uma das principais fashionistas do país, Sabrina optou por um vestido que dialoga com referências dos anos 1980 e com o visual do casamento da princesa Diana. Segundo o stylist Pedro Sales, o desejo da noiva era uma silhueta volumosa, com elementos como tafetá, corset, drapeados, mangas dramáticas e laços. O escolhido para a criação foi Giambattista Valli, que desenvolveu uma peça única à distância, com uma equipe de 10 pessoas em seu ateliê de alta-costura. O look foi finalizado com luvas brancas, maxibrincos e um buquê de flores brancas em cascata.

Palcos, tapetes vermelhos e moda pop

Em maio, Lady Gaga realizou em Copacabana o maior show já feito por uma cantora, reunindo mais de 2 milhões de fãs. Durante a apresentação da música “Abracadabra”, a artista revelou um vestido com as cores do Brasil e uma faixa que remetia a um símbolo presidencial, gesto que rapidamente se espalhou pelas redes. No mesmo eixo entre música e moda, Kendrick Lamar chamou atenção no intervalo do Super Bowl ao usar calça flare assinada pela Celine. A escolha, pouco comum no vestuário masculino tradicional, tornou-se um dos códigos mais associados ao estilo do rapper naquele momento.

O tapete vermelho também foi palco de produções memoráveis. Timothée Chalamet e Kylie Jenner apareceram juntos na estreia de “Marty Supreme”, em Los Angeles, usando looks na mesma tonalidade, ambos assinados pela Chrome Hearts. A coordenação visual garantiu ao casal um lugar entre pares icônicos da cultura pop que marcaram época com escolhas fashion alinhadas.

O anúncio do noivado de Taylor Swift com Travis Kelce reforçou o poder comercial da moda. O vestido fluido listrado da Polo Ralph Lauren usado pela cantora esgotou rapidamente após a postagem, que ultrapassou 36 milhões de curtidas no Instagram. Já Alexander Skarsgård explorou o method dressing na divulgação do filme “Pillion”, apostando em peças de látex, couro e referências ao universo BDSM, incluindo o registro ao lado de um cachorro no BFI London Film Festival, que viralizou pela combinação de sensualidade e contraste visual.

Ao longo de 2025, esses looks ajudaram a mostrar que, mesmo em meio a ciclos acelerados de tendências, a moda segue capaz de condensar debates, emoções e memória coletiva em imagens que atravessam o tempo.

Fonte: Vogue
Foto: https://br.freepik.com/vetores-gratis/tapete-vermelho-realista-e-pedestal-com-iluminacao-e-cercas-com-corda-de-veludo_7286683.htm

31 de dezembro de 2025 0 comentário
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