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Gene ajustado deixa morango mais rico em antioxidantes
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Gene ajustado deixa morango mais rico em antioxidantes

por Esteticare 4 de novembro de 2026
escrito por Esteticare

Presença frequente em cafés da manhã, sobremesas e vitaminas, o morango pode ganhar uma versão ainda mais interessante do ponto de vista nutricional. Pesquisadores da Universidade Agrícola de Nanjing, na China, e da Universidade de Connecticut, nos Estados Unidos, conseguiram elevar os níveis de antioxidantes da fruta com uma alteração genética pontual. A mudança não afetou a doçura nem o tamanho dos frutos.

O trabalho foi feito com morango silvestre. A equipe aumentou a atividade do gene FveIPT2, associado às funções do RNA transportador, e observou uma produção maior de substâncias metabólicas secundárias. Essas substâncias mudaram o perfil químico do fruto e se refletiram na cor, no aroma e no valor nutricional.

Morango rico em antioxidantes

O ganho mais relevante para quem acompanha a relação entre alimentação e bem-estar está nos antioxidantes. Os morangos modificados acumularam mais antocianinas, flavonoides e compostos fenólicos, grupo de substâncias que dá cor aos vegetais e está associado à proteção contra o envelhecimento celular.

Esses compostos ajudam no combate aos radicais livres, moléculas relacionadas ao desgaste das células. Com maior concentração deles, a fruta passa a oferecer mais densidade nutricional em cada porção. A vantagem, segundo os pesquisadores, é que o consumidor não precisaria mudar seus hábitos alimentares para obter esse benefício.

Vermelho mais intenso

A mudança também aparece a olho nu. A análise química encontrou aumento em nove compostos derivados de cianidina e pelargonidina, pigmentos que garantiram ao morango um vermelho mais profundo. Além de sinalizar a presença dos antioxidantes, a cor reforça o apelo visual da fruta, característica que torna o alimento comercialmente mais atraente.

Notas florais no aroma

Cheiro e sabor também foram afetados. O ajuste reorganizou os compostos voláteis responsáveis pela experiência sensorial de quem consome o morango. Quase metade dos terpenoides acompanhados no estudo teve aumento de concentração, entre eles monoterpenoides, sesquiterpenoides e triterpenoides. A análise laboratorial confirmou mudanças significativas no perfil olfativo da fruta.

O destaque ficou para o linalol. A elevação desse composto deixou o aroma com notas florais mais evidentes. Os odores excessivamente resinosos, que costumam desagradar, foram reduzidos de forma expressiva. Os pesquisadores também identificaram a ativação de vias específicas de transporte dos compostos de sabor.

Doçura e tamanho mantidos

Um dos maiores desafios da engenharia metabólica de plantas é melhorar o fruto sem provocar efeitos colaterais no cultivo. Mudanças em hormônios vegetais clássicos, por exemplo, costumam causar anomalias na estrutura da planta, atrofiar o crescimento e deformar os frutos.

No caso do FveIPT2, o gene atuou de forma isolada e não interferiu nas vias hormonais que coordenam o desenvolvimento. Os morangos modificados mantiveram o mesmo peso médio e o mesmo formato das plantas selvagens. A concentração de açúcares naturais também não mudou, ou seja, a doçura foi preservada. Floração e época de produção seguiram o calendário habitual, sem anomalias visíveis.

Para quem consome, isso significa uma fruta com mais compostos benéficos e aroma mais agradável, sem perder o sabor doce característico. Para quem produz, significa ganho de qualidade sem sacrificar o rendimento da colheita.

Um gene subestimado

O estudo também chama atenção pelo alvo escolhido. Por muito tempo, os cientistas acreditaram que esse tipo de componente celular tinha papel apenas passivo, limitado à manutenção das estruturas básicas das células vegetais. Os resultados mostraram que esses elementos podem regular ativamente características metabólicas importantes.

Na avaliação dos pesquisadores, a descoberta quebra um paradigma clássico da biologia vegetal e abre espaço para estratégias de melhoramento mais suaves. Em vez de recorrer a reguladores hormonais agressivos, a proposta é trabalhar com componentes de rotina da célula, o que tende a gerar avanços mais precisos e eficientes.

Próximos passos

Os autores avaliam que a abordagem pode ser expandida em breve para outras espécies comestíveis de grande importância comercial. A ideia é permitir que produtores cultivem alimentos de qualidade premium, mais nutritivos e saborosos, sem reduzir o volume das safras anuais.

Para quem busca uma alimentação mais rica em antioxidantes, o resultado indica um caminho em que a fruta ganha valor nutricional sem mudanças na rotina à mesa. O estudo, porém, foi realizado com morango silvestre, e a aplicação em outras culturas ainda depende da expansão da técnica anunciada pelos pesquisadores.

Fonte: Brasil 247
Foto: https://www.magnific.com/br/fotos-premium/close-up-de-morangos-contra-fundo-branco_112785616.htm

4 de novembro de 2026 0 comentário
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Alimentação pode ajudar a preservar o colágeno e manter a pele saudável
Alimentação

Alimentação pode ajudar a preservar o colágeno e manter a pele saudável

por Esteticare 28 de outubro de 2026
escrito por Esteticare

A alimentação exerce influência sobre a saúde da pele e pode contribuir para preservar sua estrutura ao longo dos anos. Frutas, verduras, legumes, sementes, peixes e alimentos fermentados fornecem nutrientes relacionados à produção de colágeno, à manutenção da hidratação e à proteção das células contra danos ambientais. Esses benefícios, porém, dependem de hábitos consistentes e não eliminam os efeitos naturais do envelhecimento.

A pele é o maior órgão do corpo humano e funciona como uma barreira de proteção contra agentes externos. Ao longo da vida, ela fica exposta à poluição, à radiação solar e às variações de temperatura. Segundo Jean Krutmann, professor de dermatologia do Instituto de Pesquisa Leibniz de Medicina Ambiental, diferentes fatores ambientais participam desse processo.

“Há décadas imaginamos que a radiação ultravioleta fosse a principal causa do envelhecimento da pele por razões ambientais. Sabemos que isso não é verdade”, explica ele.

O especialista também chama a atenção para a luz visível e a radiação infravermelha presentes na luz solar natural. O aumento da temperatura pode contribuir para o envelhecimento. Somam-se a esses fatores as mudanças próprias da idade, entre elas a redução gradual do colágeno, proteína responsável por dar sustentação à pele e cuja perda favorece o aparecimento de rugas.

Frutas e vegetais fornecem antioxidantes

Uma alimentação rica em vegetais oferece compostos que ajudam a proteger as células contra danos. Cenoura, tomate e pimentão, por exemplo, contêm carotenoides, pigmentos que incluem o betacaroteno, o licopeno e a luteína.

Volker Böhm, professor de química alimentar da Universidade Friedrich Schiller, na Alemanha, explica que esses compostos podem ser armazenados no tecido adiposo e contribuir para a proteção contra a radiação ultravioleta.

O consumo regular de alimentos ricos em carotenoides pode fornecer um fator de proteção complementar, mas não substitui o protetor solar. Segundo Böhm, a ingestão desses nutrientes está associada a um fator de proteção ultravioleta básico de aproximadamente 2 a 3.

A absorção dos carotenoides também pode ser favorecida pela combinação dos vegetais com pequenas quantidades de gorduras saudáveis, como o azeite de oliva. O betacaroteno ainda pode ser convertido em vitamina A, nutriente importante para o crescimento e a manutenção das células da pele.

Pesquisas também investigam a relação entre carotenoides, colágeno e elastina. Em um pequeno estudo, mulheres que utilizaram um suplemento diário desses compostos durante dez meses apresentaram aumento dessas proteínas na pele. Os resultados sugerem um possível efeito protetor, embora sejam necessárias investigações adicionais.

A manga e as frutas cítricas também merecem atenção. Além de carotenoides e outros antioxidantes, a manga contém flavonoides e mangiferina. Já a vitamina C presente nas frutas cítricas participa da produção de colágeno e contribui para proteger as células contra danos.

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade da Califórnia em Davis avaliou mulheres após a menopausa que consumiram 85 gramas de manga quatro vezes por semana, durante 16 semanas. Os pesquisadores observaram redução no tamanho das rugas existentes e no surgimento de novas marcas.

O resultado não significa que quantidades maiores produzam benefícios adicionais. No mesmo estudo, o consumo de aproximadamente 250 gramas diários foi associado ao aumento das rugas. Robert Hackman, professor de nutrição envolvido na pesquisa, levantou a hipótese de que o açúcar natural da fruta pudesse contribuir para alterações nas moléculas da pele. A explicação ainda precisa ser confirmada.

Gorduras saudáveis ajudam a proteger a barreira cutânea

Amêndoas, avelãs, pinhões e outras oleaginosas fornecem vitamina E, nutriente associado à proteção das células. Sua deficiência pode comprometer a saúde da pele e dificultar a cicatrização.

As oleaginosas também contêm ácidos graxos, incluindo ômega-6, que participam da manutenção da barreira cutânea responsável por reduzir a perda de umidade. Um estudo controlado de 16 semanas identificou menos rugas visíveis entre participantes que consumiram amêndoas, em comparação com pessoas que receberam outros tipos de lanche.

Outra fonte relevante são os peixes ricos em ômega-3, como salmão, sardinha e cavalinha. Estudos de pequena escala sugerem que esses ácidos graxos podem diminuir a sensibilidade da pele ao Sol e contribuir para a preservação do colágeno, além de participar da regulação de processos inflamatórios.

Saúde intestinal também influencia a pele

A relação entre intestino e pele, conhecida como eixo intestino-pele, é outra frente de investigação. A microbiota intestinal reúne microrganismos que participam de diferentes funções do organismo, incluindo processos relacionados à imunidade.

Segundo Hackman, uma dieta variada, com alimentos vegetais, favorece a produção de compostos com propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias pelos micróbios intestinais. Esses mecanismos podem repercutir na saúde cutânea.

Frutas, verduras, legumes, leguminosas, grãos integrais, ervas e especiarias ajudam a diversificar a alimentação. Produtos fermentados, como iogurte, chucrute, kimchi e kombucha, também podem beneficiar a microbiota, dependendo de sua composição e forma de preparo.

Os efeitos da alimentação não aparecem imediatamente. Jean Krutmann observa que a ingestão regular de antioxidantes pode exigir de oito a dez semanas para produzir mudanças perceptíveis relacionadas à proteção contra fatores ambientais.

Uma dieta equilibrada pode contribuir para manter a pele saudável, mas não impede completamente o aparecimento de rugas. O cuidado diário também inclui o uso de protetor solar, medida importante para reduzir os danos provocados pela exposição à radiação ultravioleta.

Fonte: Folha de São Paulo
Foto: https://www.magnific.com/br/fotos-gratis/pele-radiante-linda-e-saudavel-de-mulher-sem-maquiagem-retrato-de-menina-sorrindo-contra-a-parede-de-frutas_12607407.htm

28 de outubro de 2026 0 comentário
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Fibras na alimentação ganham destaque por impacto na saúde do cérebro e na longevidade
Alimentação

Fibras na alimentação ganham destaque por impacto na saúde do cérebro e na longevidade

por Esteticare 3 de fevereiro de 2026
escrito por Esteticare

Uma alimentação baseada em grãos integrais, frutas, leguminosas, nozes e sementes, alimentos reconhecidos pelo alto teor de fibras, tem sido associada a benefícios amplos para o organismo. Pesquisas recentes indicam que esse padrão alimentar contribui não apenas para a saúde metabólica, mas também para o funcionamento cerebral, com possível efeito na prevenção do declínio cognitivo ao longo da vida.

Os estudos apontam que as fibras influenciam diretamente o microbioma intestinal e fortalecem o eixo intestino cérebro, sistema responsável pela comunicação entre os dois órgãos. Essa interação tem sido considerada fundamental para processos que envolvem memória, humor e envelhecimento saudável.

A ampliação do consumo desse nutriente aparece como uma das mudanças alimentares com maior impacto na saúde cognitiva. Segundo Karen Scott, professora de microbiologia intestinal no Rowett Institute, da Universidade de Aberdeen, na Escócia, a deficiência de fibras está entre os principais fatores de risco relacionados à alimentação.

Mesmo com evidências consistentes, grande parte da população ainda consome quantidades abaixo do recomendado. Especialistas indicam cerca de 30 gramas por dia. Nos Estados Unidos, aproximadamente 97% dos homens e 90% das mulheres ingerem menos fibras do que o ideal. O Reino Unido apresenta cenário semelhante, com mais de 90% dos adultos abaixo da recomendação, situação também observada em diversos outros países.

Como as fibras atuam no organismo

A fibra é um tipo de carboidrato que não é facilmente degradado pelas enzimas digestivas. Por essa característica, atravessa o sistema digestivo quase intacta, promovendo benefícios importantes. Entre eles estão o aumento do volume fecal, a melhora do trânsito intestinal e a manutenção da sensação de saciedade por mais tempo.

A digestão mais lenta também ajuda a reduzir picos de glicose no sangue. Pesquisas indicam que pessoas que consomem mais grãos integrais costumam apresentar menor índice de massa corporal e menor acúmulo de gordura abdominal quando comparadas às que priorizam alimentos refinados.

O consumo adequado de fibras também se relaciona à expectativa de vida. John Cummings, professor emérito de gastroenterologia experimental da Universidade de Dundee, afirma que o nutriente deve ser tratado como essencial para a saúde. Uma revisão científica da qual ele participou apontou que indivíduos com maior ingestão apresentaram risco de mortalidade entre 15% e 30% menor em comparação com aqueles que consumiam menos fibras.

O estudo ainda associou o consumo adequado à redução do risco de doença coronariana, acidente vascular cerebral, diabetes tipo 2 e câncer colorretal, o que representa 13 mortes a menos para cada mil pessoas avaliadas. Os melhores resultados foram observados em dietas com ingestão diária entre 25 e 29 gramas.

Exemplos simples mostram como alcançar esses níveis. Uma batata assada com casca acompanhada de feijão e uma maçã pode fornecer cerca de 15,7 gramas de fibras. Um punhado de nozes, aproximadamente 30 gramas, acrescenta 3,8 gramas ao total diário.

Os efeitos positivos estão ligados à ação das bactérias intestinais. Ao digerirem as fibras, esses microrganismos produzem ácidos graxos de cadeia curta, como acetato, propionato e butirato. Segundo Cummings, esses compostos fornecem energia às células e estão associados à redução da mortalidade.

Relação entre fibras e saúde cerebral

O impacto das fibras também alcança o sistema nervoso. Scott explica que o butirato contribui para a manutenção da barreira intestinal, dificultando a passagem de substâncias nocivas para a corrente sanguínea e, consequentemente, para o cérebro.

“Quanto mais fibras você consome, mais butirato é produzido, e melhor a cognição pode ser preservada.”

Pesquisas reforçam essa associação. Um estudo publicado em 2022 com mais de 3.700 adultos identificou que maiores níveis de ingestão de fibras estavam relacionados a menor risco de demência. Outro levantamento com pessoas acima dos 60 anos indicou melhor desempenho cognitivo entre participantes com dietas mais ricas nesse nutriente.

Embora muitos resultados sejam observacionais, um ensaio clínico randomizado envolvendo pares de gêmeos indicou possível relação causal. Participantes que ingeriram suplemento de fibra prebiótica diariamente apresentaram melhor desempenho em testes cognitivos após três meses, em comparação com aqueles que receberam placebo. A análise das amostras fecais mostrou aumento de bactérias benéficas, incluindo Bifidobacterium.

Mary Ni Lochlainn, professora clínica de medicina geriátrica no King’s College London, liderou a pesquisa e destacou o potencial da alimentação na preservação da memória em idosos. “O mais empolgante no microbioma é que ele é maleável, e certos microrganismos parecem estar associados positivamente à saúde.”

Ela acrescenta que compreender o funcionamento da microbiota pode ajudar a reduzir impactos do envelhecimento físico e cognitivo. “É um recurso pouco explorado, e uma área ainda pouco estudada, sobre a qual estamos aprendendo cada vez mais”, afirmou, ressaltando que isso pode “tornar o envelhecimento mais fácil”.

Estudos adicionais relacionam a produção elevada de butirato à melhora do sono, à redução de sintomas depressivos e ao bem-estar geral. Pesquisadores também identificaram que pacientes com doença de Alzheimer apresentaram maior presença de marcadores inflamatórios e menor quantidade de bactérias produtoras desse composto.

Estratégias para aumentar o consumo

Especialistas destacam que pessoas com maior longevidade e melhor qualidade de vida tendem a apresentar microbiomas mais diversos. A variedade de fibras na alimentação contribui diretamente para essa diversidade.

O aumento do consumo pode ser feito com mudanças simples, como incluir leguminosas, entre elas feijão, ervilha e lentilha, em preparações diárias. Outra alternativa é substituir produtos refinados por versões integrais ou combinar os dois tipos gradualmente.

Lanches como pipoca, frutas, sementes e oleaginosas ajudam a elevar a ingestão total. Em alguns casos, suplementos podem ser indicados, especialmente para pessoas com dificuldades de mastigação ou deglutição.

Para Scott, o impacto do nutriente na saúde é significativo. “Aumentar o consumo de fibras é realmente a coisa mais benéfica que as pessoas podem fazer” pela saúde geral.

Fonte: Folha de São Paulo
Foto: https://br.freepik.com/fotos-gratis/fechar-uma-tigela-de-sementes-de-chia-e-outros-alimentos-saudaveis-na-mesa-da-cozinha_48614745.htm

3 de fevereiro de 2026 0 comentário
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Alimentos frescos devem ficar mais caros que ultraprocessados em 2026
Alimentação

Alimentos frescos devem ficar mais caros que ultraprocessados em 2026

por Esteticare 13 de janeiro de 2026
escrito por Esteticare

Manter uma alimentação considerada saudável tende a pesar mais no bolso a partir de 2026. Uma projeção elaborada pela Universidade Federal de Minas Gerais em parceria com o Instituto de Defesa do Consumidor indica que, pela primeira vez, os alimentos in natura ou minimamente processados devem ultrapassar, em média, o preço dos produtos ultraprocessados. O estudo analisou a evolução dos valores praticados no país desde o início da pandemia de Covid-19, em 2020, e aponta uma tendência de longo prazo que preocupa especialistas em saúde pública e economia.

De acordo com a pesquisa, itens como frutas, legumes, verduras e alimentos básicos frescos têm sido impactados por uma combinação de fatores estruturais. Custos de transporte, armazenamento, logística e combustível influenciam diretamente os preços finais desses produtos. Já os ultraprocessados, além de terem maior durabilidade e facilidade de distribuição, são baseados em commodities como milho e soja, que contam com incentivos fiscais e cadeias produtivas altamente subsidiadas no Brasil.

Para a nutricionista e pesquisadora do Idec, Ana Maria Maya, o debate sobre alimentação saudável precisa considerar o peso do custo no cotidiano das famílias. “Muitos profissionais de saúde diziam que ter uma alimentação saudável era uma questão de escolha”, afirma. “Mas isso não é verdade. Em uma população socioeconomicamente vulnerável, como o Brasil, precisamos considerar que o custo vai ser determinante para as escolhas alimentares”.

Preço, renda e insegurança alimentar

A elevação relativa dos alimentos frescos ocorre em um cenário marcado por informalidade no mercado de trabalho e instabilidade financeira. O professor de economia Valter Palmieri Jr., doutor em Desenvolvimento Econômico, explica que essas condições reduzem a capacidade de planejamento das famílias e afetam diretamente a dieta. “Quando os preços dos alimentos sobem, famílias mais vulneráveis perdem liberdade de escolha alimentar, o que reduz a variedade da dieta e aumenta a ansiedade em relação à comida, criando um ambiente propício ao sofrimento psíquico associado à alimentação”, diz.

Segundo ele, o ambiente econômico, cultural e social no Brasil favorece o consumo de ultraprocessados por diferentes vias. O preço mais baixo é apenas uma delas. A ampla oferta, a facilidade de acesso em qualquer região e o marketing agressivo tornam esses produtos ainda mais presentes no dia a dia. Paralelamente, a publicidade reforça padrões corporais idealizados e pouco realistas. “São incentivos contraditórios, que ampliam lucros, mas geram custos ocultos e pioram nossa relação e nosso comportamento com a comida”, avalia o economista.

A questão não se limita à renda ou à informação nutricional. Mesmo consumidores conscientes enfrentam barreiras concretas para manter uma alimentação equilibrada quando os preços dos alimentos frescos sobem acima da inflação média. O resultado, apontam os pesquisadores, é a substituição gradual por opções mais baratas, calóricas e pobres em nutrientes.

Ultraprocessados, compulsão e cuidado no discurso

A psiquiatra Nicole Rezende, pesquisadora e colaboradora do Ambulatório Integrado dos Transtornos do Impulso do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP, destaca outro aspecto relevante. Segundo ela, alimentos ultraprocessados possuem potencial adictivo. São desenvolvidos para serem hiperpalatáveis e concentram grandes quantidades de açúcar, sal, gordura e aditivos químicos, o que dificulta a moderação no consumo.

“Quanto mais fácil acessar um produto processado, com um ambiente que facilita isso, mais automáticas se tornam essas escolhas e pode-se observar um padrão semelhante ao das dependências químicas, em que a pessoa tenta reduzir o consumo mas não consegue. O cérebro fica muito exposto realmente a pistas que disparam essa vontade o tempo todo”. Esse cenário aumenta o risco de compulsão alimentar e a sensação de perda de controle.

Nicole ressalta, porém, que o enfrentamento do problema exige cuidado para não transformar a alimentação em um campo moral. “Isso pode gerar uma moralização, como se comer fosse errado, em vez de focar os alvos reais, que seriam design do produto, marketing, disponibilidade e custo”, afirma. Para ela, o pensamento de tudo ou nada tende a ampliar o sofrimento, reforçando ciclos de restrição, fissura, perda de controle e culpa.

Diante desse quadro, especialistas defendem políticas públicas que estimulem a produção e o consumo de alimentos in natura ou minimamente processados. Ana Maria Maya lembra que há anos a sociedade civil e organizações do terceiro setor pressionam por medidas desse tipo. Ainda assim, a recente reforma tributária criou o chamado imposto do pecado apenas para bebidas alcoólicas e adocicadas, sem prever incentivos fiscais capazes de reduzir o preço dos ultraprocessados ou tornar os alimentos frescos mais acessíveis para a população.

Fonte: Folha de São Paulo
Foto: https://br.freepik.com/fotos-gratis/vista-superior-de-uma-variedade-de-vegetais-frescos_12418301.htm

13 de janeiro de 2026 0 comentário
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