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Alzheimer é a segunda doença que mais preocupa brasileiros quando o diagnóstico envolve pessoas próximas

por Esteticare 11 de março de 2026
11 de março de 2026
Alzheimer é a segunda doença que mais preocupa brasileiros quando o diagnóstico envolve pessoas próximas

Uma pesquisa nacional realizada pelo instituto Datafolha indica que o Alzheimer ocupa o segundo lugar entre as doenças que mais preocupam os brasileiros quando se imagina um diagnóstico atingindo alguém próximo. O estudo foi encomendado pela farmacêutica Eli Lilly e divulgado nesta segunda-feira (9).

No ranking de preocupações, o câncer aparece em primeiro lugar com ampla vantagem. Na sequência surge o Alzheimer, seguido pela Aids e pelo Parkinson. O levantamento também aponta que uma parcela expressiva da população já convive com casos da doença no círculo social ou familiar.

De acordo com os dados, quatro em cada dez entrevistados afirmam conhecer alguém que recebeu diagnóstico de Alzheimer.

A pesquisa ouviu 2.002 pessoas com mais de 16 anos em todas as regiões do país, em dezembro do ano passado. Quando os participantes foram questionados sobre qual dessas doenças mais temiam que atingisse um familiar ou amigo, 75% citaram o câncer. O Alzheimer aparece na sequência, mencionado por 13% dos entrevistados. A Aids foi lembrada por 9%, enquanto o Parkinson surge com 1%.

Especialistas apontam que o temor em torno do Alzheimer está frequentemente ligado à falta de informação sobre a doença e ao estigma que ainda envolve os quadros de demência.

A geriatra Celene Pinheiro, presidente da Associação Brasileira de Alzheimer, afirma que o medo pode levar parte da população a evitar a busca por diagnóstico e tratamento.

“O medo da doença faz com que muitos evitem procurar ajuda. Ainda existe a ideia de que demência é algo natural do envelhecimento, e isso não é verdade. Sempre que há mudanças cognitivas é preciso investigar.”

Doença preocupa mesmo fora da faixa de maior risco

Para a geriatra Claudia Suemoto, professora da disciplina de geriatria da Universidade de São Paulo, um dos resultados que mais chamam atenção é a presença do Alzheimer entre as principais preocupações de um grupo relativamente jovem.

“A média de idade da pesquisa é de 44 anos e apenas 22% têm 60 anos ou mais, que é justamente a população com maior risco para demência”, afirma. “É uma população que, em geral, não está em risco imediato. Mesmo assim, o Alzheimer aparece atrás do câncer entre os maiores medos”, diz a médica.

Suemoto também dirige o Biobanco para Estudos em Envelhecimento da universidade e observa que o envelhecimento da população brasileira tem ampliado a convivência com casos de demência dentro das famílias.

Esse fenômeno aparece no levantamento. Cerca de 41% dos entrevistados disseram já ter conhecido ou convivido com alguém diagnosticado com Alzheimer.

Mesmo assim, a pesquisa mostra que o reconhecimento da importância do diagnóstico precoce ainda é menor quando comparado a outras doenças.

Percepção sobre diagnóstico precoce

Quando perguntados sobre em quais doenças é mais importante identificar o problema logo no início para aumentar as chances de sucesso do tratamento, 84% dos entrevistados apontaram o câncer como prioridade. A Aids aparece em segundo lugar, com 10%.

No caso do Alzheimer, apenas 4% consideram que o diagnóstico precoce é fundamental. O Parkinson foi citado por 1%.

Apesar dessa percepção, praticamente todos os entrevistados concordam que buscar ajuda médica ao perceber sinais iniciais da doença é importante. O índice de concordância chega a 99%.

Na prática, porém, o comportamento costuma ser diferente. A pesquisa mostra que 60% dos participantes reconhecem que geralmente existe um intervalo prolongado entre os primeiros sinais, como lapsos de memória ou confusão mental, e a procura por atendimento especializado.

Para 88% dos entrevistados, as pessoas costumam procurar ajuda apenas quando os sintomas já se tornaram mais evidentes.

Celene Pinheiro afirma que essa demora está relacionada à forma como a doença ainda é percebida pela sociedade, muitas vezes associada apenas às fases mais avançadas.

“A doença de Alzheimer não tem cura, mas tem tratamento, e quanto mais cedo ele começa, melhores são os resultados.”

Segundo a especialista, intervenções que incluem medicação, prática regular de atividade física e estímulos cognitivos podem ajudar pacientes a preservar autonomia por longos períodos.

“Tem pessoas que viajam, vão ao teatro, ao cinema e mantêm vida social ativa. A realidade hoje é diferente da imagem que muitas pessoas ainda têm da doença.”

Alto número de casos sem diagnóstico

Outro ponto de atenção no Brasil é a quantidade de pessoas com demência que nunca recebem diagnóstico formal. Dados reunidos pelo Ministério da Saúde no Relatório Nacional de Demências, publicado em 2024, indicam que cerca de 80% dos casos no país não são identificados.

“Muitas vezes o diagnóstico ocorre apenas em fases mais avançadas, quando os sintomas já estão muito evidentes”, afirma Suemoto.

O percentual brasileiro é mais elevado que o registrado em outras regiões. Na Europa, a taxa de subdiagnóstico é de 53,7%. Na América do Norte, chega a 62,9%. Já em países asiáticos como China e Índia, os índices também são altos e ultrapassam 90%.

A demência é um termo usado para descrever um conjunto de doenças que provocam deterioração das funções cognitivas. O Alzheimer é a forma mais comum entre elas.

Essas condições costumam afetar memória, linguagem, planejamento e a capacidade de realizar tarefas cotidianas. Quando o comprometimento passa a interferir na rotina da pessoa, o quadro passa a exigir avaliação médica.

“Se alguém que sempre foi organizado começa a ter dificuldade para se comunicar, chega atrasado a compromissos ou não consegue mais realizar tarefas que antes fazia sem problema, isso pode indicar uma mudança cognitiva relevante”, diz Suemoto.

A especialista ressalta que ainda é comum que familiares e até profissionais de saúde interpretem esses sinais como parte natural do envelhecimento, sobretudo em pessoas muito idosas.

Segundo ela, alterações cognitivas que afetam a autonomia devem sempre ser investigadas. Mesmo em pessoas mais jovens, déficits cognitivos podem indicar outras condições médicas, como depressão, deficiência de vitamina B12 ou problemas na tireoide, o que também exige avaliação adequada.

Fonte: Folha de São Paulo
Foto: https://br.freepik.com/fotos-gratis/homem-idoso-enfrentando-doenca-de-alzheimer_16518588.htm

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