O conceito de bem-estar está ganhando novos espaços dentro das cidades. Nos empreendimentos imobiliários de alto padrão, cuidados relacionados à saúde, relaxamento e qualidade de vida começam a fazer parte da própria concepção das residências. A mudança acompanha uma demanda por ambientes que ajudem a tornar a rotina mais confortável e reduzam tarefas do cotidiano.
Conhecida como wellness imobiliário, a tendência combina arquitetura, hospitalidade, serviços e experiências sensoriais. Em vez de concentrar o lazer em uma área comum tradicional, os novos projetos procuram criar estruturas voltadas ao descanso, à recuperação física e ao autocuidado.
Um exemplo está em Curitiba. O Ícaro Casa-Térrea, lançado em 2024 pela incorporadora AG7, reúne residências de quase 1,5 mil metros quadrados em uma área cercada por Mata Atlântica preservada. O projeto conta com spa, água aquecida, iluminação planejada e elementos naturais.
O condomínio também oferece concierge e serviços destinados a facilitar a vida dos moradores. Compras de mercado, manutenção doméstica, governança durante viagens e outras tarefas podem ser organizadas pela operação do empreendimento.
Arquitetura passa a considerar o bem-estar
A proposta de wellness modifica a forma como áreas residenciais são planejadas. Academias, piscinas aquecidas e spas continuam entre os recursos oferecidos pelos condomínios de luxo, mas passam a dividir espaço com soluções relacionadas ao conforto e à recuperação.
Entre elas estão iluminação natural, conforto acústico, biofilia, ambientes contemplativos e espaços destinados à recuperação física. A ideia é integrar esses elementos à rotina, criando uma experiência que ultrapassa a estrutura tradicional de lazer.
A AG7 avançou nessa proposta nos últimos anos. De acordo com Melissa Barbosa, diretora de sucesso do cliente da empresa, a incorporadora não começou sua atuação com o wellness como foco principal. A inovação, porém, já fazia parte da estratégia da companhia.
Há 15 anos, a empresa lançou seus primeiros empreendimentos em Curitiba e incorporou soluções consideradas pouco usuais no mercado brasileiro naquele momento, como infraestrutura para carregamento de carros elétricos.
A mudança mais significativa veio em 2019, com o lançamento do Ícaro Jardins do Graciosa. O projeto levou em consideração comportamentos, rotinas e necessidades relacionadas ao bem-estar.
“Foi um projeto desenvolvido com o ser humano no centro. Mapeamos comportamentos, rotinas e necessidades ligadas ao bem-estar para desenhar cada detalhe do empreendimento”, conta Barbosa.
Depois desse projeto, a incorporadora lançou empreendimentos como AGE360 e Pace. O Ícaro Casa-Térrea, por sua vez, consolidou a estratégia sob o conceito “Building Wellness”.
“A gente costuma dizer que não vende metro quadrado, mas tempo de qualidade. O objetivo é eliminar fricções do dia a dia”, afirma Barbosa.
O empreendimento também está entre os projetos que possuem a certificação internacional Fitwel, voltada a edifícios focados em saúde e bem-estar. Para sua elaboração, foram necessárias consultorias internacionais especializadas em spa, hospitalidade, saúde e academias.
Serviços de hotelaria chegam aos condomínios
Em São Paulo, a Lindenberg também passou a incorporar o wellness em novos projetos localizados em Moema. A proposta inclui recursos destinados ao relaxamento, à recuperação e à atividade física.
Piscinas de recovery, saunas, salas de massagem, academias de alta performance e iluminação planejada para momentos de relaxamento fazem parte desse modelo. As áreas comuns são organizadas com uma proposta semelhante à de resorts privados.
“Hoje, o cliente quer exclusividade e conveniência. Quanto menos ele precisar sair do prédio, melhor”, afirma Adolpho Lindenberg, CEO da empresa.
O novo Edifício Adolpho Lindenberg tem VGV estimado em R$ 1,2 bilhão, com 75 unidades de 330 a 875 metros quadrados. Os preços começam em R$ 14 milhões por unidade. O projeto tinha lançamento previsto para agosto deste ano.
O modelo, entretanto, permanece concentrado no mercado de altíssimo padrão. O Ícaro Casa-Térrea, por exemplo, tem VGV estimado em cerca de R$ 600 milhões para 38 residências distribuídas em quatro torres, em um terreno de 20 mil metros quadrados.
Wellness enfrenta limite de espaço
A necessidade de grandes áreas também representa um desafio para a expansão desse tipo de empreendimento nas capitais. São Paulo e Rio de Janeiro possuem terrenos cada vez mais disputados, justamente em regiões onde existe demanda por espaços residenciais que ofereçam serviços e experiências de bem-estar.
O empreendimento da Lindenberg ocupa aproximadamente 30 mil metros quadrados, uma área considerada rara na capital paulista.
Uma das alternativas avaliadas pelo mercado é aproximar os empreendimentos residenciais da estrutura de hotéis boutique. Para Fábio Tadeu Araújo, CEO da consultoria Brain Inteligência Estratégica, o modelo permite compartilhar estruturas e serviços.
“Quando o empreendimento incorpora uma operação de hotel boutique, ele consegue compartilhar estruturas de spa, wellness, gastronomia, hospitalidade e serviços que exigiriam áreas muito maiores dentro de um condomínio tradicional”, afirma.
Com isso, o wellness imobiliário amplia sua presença para além das academias e áreas de lazer. O conceito passa a envolver a forma como os moradores descansam, cuidam do corpo, organizam a rotina e utilizam os espaços onde vivem.
Fonte: Forbes
Foto: https://www.magnific.com/br/fotos-premium/um-centro-de-spa-moderno-numa-linda-sala_253136277.htm