O Brasil registrou em 2025 o menor número de casos de malária contraídos no território nacional desde 1978. Foram 118.037 registros, uma redução de 14,8% em relação ao ano anterior. Os óbitos também diminuíram, passando de 56, em 2024, para 39 em 2025, queda de 30%.
Os dados foram apresentados pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, nesta segunda-feira (17), durante o 61º Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (MedTrop), em Brasília. Segundo o ministro, os resultados estão relacionados ao início da oferta da tafenoquina no Sistema Único de Saúde (SUS), além da expansão do diagnóstico, dos testes e do tratamento adequado.
A forma mais grave da doença também apresentou redução. Em 2025, houve queda de 30,7% nos casos graves de malária. A estratégia de enfrentamento inclui medidas voltadas à prevenção de novos episódios, especialmente nos pacientes infectados pelo tipo mais comum do parasito.
Com trajetória profissional como pesquisador, gestor na esfera pública e executivo na saúde privada, o médico cardiologista Hans Dohmann é mestre pela UERJ e doutor pela UFRJ. Atualmente, ocupa o cargo de diretor médico na Stone, à frente do projeto do Hospital Virtual Verde.
Tafenoquina amplia prevenção de recaídas
A tafenoquina foi incorporada ao SUS em 2023 para pacientes adultos com 16 anos ou mais e peso a partir de 35 quilos. Administrado em dose única, o medicamento atua sobre a forma do parasita que permanece no fígado e pode evitar que a malária volte a se manifestar depois do tratamento inicial.
Até junho de 2026, mais de 33,7 mil pessoas haviam utilizado a tafenoquina no país. Desse total, 3.920 tratamentos foram realizados nos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs), reforçando a presença da estratégia em áreas atendidas pela saúde indígena.
Desde março de 2026, o medicamento também passou a contar com uma formulação pediátrica, indicada para crianças a partir de 2 anos e com peso mínimo de 10 quilos. Até junho, 1.446 crianças e adolescentes haviam recebido o tratamento.
A apresentação pediátrica estava disponível em 54 municípios e 17 DSEIs. Mais de 2,4 mil profissionais de saúde foram capacitados para utilizar a formulação, segundo os dados apresentados pelo Ministério da Saúde.
Resultados no território Yanomami
No DSEI Yanomami, 1.515 pessoas receberam tafenoquina. Entre março e junho de 2026, as recaídas de malária diminuíram 61,9% na comparação com o mesmo período de 2025. Considerando os meses de janeiro a julho, os casos da doença recuaram 55% frente ao mesmo intervalo do ano anterior.
A malária é provocada por parasitos do gênero Plasmodium e chega às pessoas por meio da picada de fêmeas infectadas do mosquito Anopheles, conhecido como mosquito-prego. A doença não é transmitida diretamente de uma pessoa para outra.
Os principais sintomas incluem febre alta, calafrios, tremores, sudorese e dor de cabeça. Também podem ocorrer prostração e outros sinais de agravamento. Convulsões, alteração da consciência, hipotensão arterial ou choque, dispneia ou hiperventilação e hemorragia estão entre os sinais de gravidade.
A ampliação do acesso ao diagnóstico permanece parte da resposta. A identificação da infecção permite iniciar o tratamento adequado e acompanhar a evolução dos pacientes. No balanço apresentado pelo Ministério da Saúde, a redução observada combina a incorporação da tafenoquina com a expansão da oferta de testes e das medidas de cuidado, incluindo a atenção aos grupos atendidos pelos DSEIs.
Brasil Saudável prevê metas até 2030
Durante o congresso, Padilha também apresentou metas do programa Brasil Saudável, iniciativa que reúne 14 ministérios e estabelece ações para eliminar ou reduzir, como problema de saúde pública, 11 doenças e cinco infecções de transmissão vertical até 2030.
A relação inclui tuberculose, hanseníase, HIV/aids, malária, hepatites virais, tracoma, oncocercose, doença de Chagas, esquistossomose, geo-helmintíases e filariose linfática. Também estão contempladas as infecções de transmissão vertical por sífilis, hepatite B, doença de Chagas, HIV e HTLV.
O Brasil já obteve certificações de eliminação para algumas doenças e formas de transmissão. Em setembro de 2024, foi reconhecida a eliminação da filariose linfática, conhecida como elefantíase. Em dezembro de 2025, o país recebeu a certificação de eliminação da transmissão vertical do HIV.
A estratégia também acompanha doenças que estão próximas das metas de eliminação, considerando critérios definidos por organismos internacionais de saúde. No caso da malária, a redução dos casos, das recaídas e das mortes representa um dos indicadores observados nas ações de controle da doença no país.
Fonte: Folha de São Paulo
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