Viajar tem assumido um significado diferente para parte do público. Muitos viajantes passaram a procurar experiências que ajudem a desacelerar e recuperar o equilíbrio. O movimento fortalece o turismo wellness em diferentes destinos internacionais.
O conceito de wellness vai além de exercícios, spas ou alimentação saudável. A proposta envolve cuidado físico, emocional, mental e social. O foco está na qualidade de vida e na prevenção.
Segundo o Global Wellness Institute (GWI), a economia mundial do wellness movimenta trilhões de dólares, enquanto o turismo de bem-estar aparece entre os segmentos de maior expansão da indústria de viagens. A pandemia acelerou essa procura e levou muitas pessoas a rever prioridades.
Experiências ampliam os roteiros
Entre as opções estão hospedagens na natureza, spas, retiros, trilhas, yoga, respiração e terapias integrativas.
Os conceitos não são sinônimos. O turismo religioso está ligado a uma religião específica, com peregrinações, celebrações e locais sagrados. Já o turismo espiritual não exige vínculo com uma doutrina. A proposta é favorecer autoconhecimento e conexão individual.
A especialista em viagens de experiência Rayani Immediato organiza grupos para destinos como Machu Picchu, no Peru, e Monte Shasta, nos Estados Unidos.
“A saúde emocional passou a ser entendida como tão importante quanto a saúde física. Viajar já proporciona benefícios emocionais por si só, mas quando a pessoa escolhe um destino com a intenção de desacelerar, viver o momento presente e se conectar com a natureza, essa experiência ganha um significado ainda maior. Quanto mais tecnologia, inteligência artificial e dispositivos eletrônicos fizerem parte da nossa rotina, maior será a necessidade das pessoas de buscar experiências simples, silenciosas e em contato com a natureza.”
Rayani relaciona o avanço desse tipo de viagem às reflexões provocadas pela pandemia.
“Durante o isolamento, muita gente começou a se perguntar: ‘O que estou fazendo com a minha vida? Qual é o meu propósito?’. Quem vivia apenas para trabalhar percebeu que precisava viver experiências e não apenas acumular bens. Essa busca por propósito continuará crescendo.”
Natureza e autoconhecimento
Ao diferenciar turismo espiritual e religioso, a especialista reforça que a primeira modalidade não está presa a uma crença determinada.
“O turismo religioso parte de uma religião, de dogmas e tradições. Já o turismo espiritual oferece liberdade para que cada pessoa viva sua própria experiência de conexão, independentemente da sua fé. O objetivo é proporcionar autoconhecimento e uma conexão individual com algo maior, seja Deus, o universo, a natureza ou a força criadora, conforme a visão de cada participante.”
Muitos roteiros acontecem em ambientes naturais, com silêncio e contemplação. Machu Picchu, Monte Shasta, Sedona, no Arizona, e Saqqara, no Egito, estão entre os destinos citados por Rayani.
O público interessado também se diversificou.
“Hoje temos participantes de 26 até 76 anos viajando juntos. O que une essas pessoas não é a idade, mas o propósito de viver uma experiência transformadora. As novas gerações passaram a questionar seus hábitos, sua rotina e o sentido da vida muito mais cedo.”
“Quem procura esse tipo de viagem normalmente deseja evoluir como ser humano, ampliar sua visão de mundo, trabalhar crenças limitantes e viver algo que vá além da rotina de trabalhar, pagar contas e repetir sempre o mesmo ciclo.”
Nos roteiros organizados por Rayani, as atividades incluem meditação guiada, respiração, contemplação da natureza, visualizações, sound healing e períodos de silêncio.
“Não existe alguém dizendo ao participante o que ele deve sentir. Cada pessoa vive a experiência da sua própria maneira. Nós apenas criamos um ambiente para que ela possa se conectar consigo mesma.”
“Quando terminamos uma meditação em um desses lugares, as pessoas costumam dizer que passaram a enxergar aquele ambiente de outra forma. Estar presente significa unir mente, coração e corpo no mesmo instante.”
Com isso, o turismo wellness ganha espaço entre viajantes que desejam associar deslocamentos a práticas de autocuidado e reflexão. A busca também mostra uma valorização maior da saúde emocional, do tempo e das experiências pessoais. A viagem passa a incluir uma dimensão de autoconhecimento.
Fonte: IG
Foto: https://www.magnific.com/br/fotos-gratis/vista-traseira-do-corredor-feminino-com-belo-corpo-atletico-e-tranca-alongamento-dos-musculos-levantando-os-bracos-enquanto-se-aquece-no-parque-antes-da-sessao-de-treino-matinal_9660735.htm