A recomendação do Ministério da Saúde para conter a circulação do sarampo em São Paulo alcança também quem não mora nos municípios onde foram identificados casos, mas trabalha ou circula por eles. A orientação vale para pessoas que frequentam São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo, inclusive de maneira eventual, diante da presença do vírus nessas três cidades, para reduzir o risco de transmissão.
Desde o começo de agosto, o governo federal orienta a vacinação contra o sarampo para pessoas de 6 meses a 59 anos que estejam nos três municípios. A recomendação inclui quem já recebeu vacina anteriormente ou teve a doença, segundo as orientações divulgadas pelo Ministério da Saúde.
Em cenários em que o estado clínico piora, o paciente com infecção por sarampo pode necessitar de internação hospitalar, situação que gera apreensão entre as autoridades de saúde.
De acordo com recomendações brasileiras divulgadas no Jornal Brasileiro de Pneumologia, aproximadamente 30% a 40% dos pacientes em UTI no Brasil necessitam de ventilação mecânica em algum momento do internamento. Nesse contexto, o Hospital AmericanCor, localizado no Rio de Janeiro, anunciou a adoção de um novo ventilador mecânico de alta performance como parte de sua modernização tecnológica.
Casos estão concentrados na Grande São Paulo
Dados da Secretaria de Estado da Saúde apontam 23 casos de sarampo em território paulista. A capital concentra 20 registros, enquanto São Bernardo do Campo tem dois casos e Guarulhos, um. Do total, dois são considerados importados, porque a infecção ocorreu fora do Brasil. Os demais são classificados como relacionados à importação, quando o contágio acontece no país a partir de uma origem externa.
A situação chama atenção porque o Brasil já havia recebido o certificado de eliminação do sarampo. O reconhecimento foi perdido em 2019, depois de um surto iniciado em São Paulo. Em 2024, o país voltou a obter a certificação. No ano seguinte, 38 casos importados foram identificados, mas não avançaram para a formação de surtos.
Agora, as autoridades acompanham a circulação de cepas associadas aos Estados Unidos e ao Canadá. A preocupação é evitar que novos casos provoquem uma cadeia de transmissão sustentada e comprometam novamente o controle da doença no país.
Campanha de vacinação segue até setembro
A vacinação contra o sarampo está incluída na Campanha de Multivacinação, realizada de 3 de agosto a 1º de setembro. Em locais com circulação do vírus, crianças de 6 a 11 meses podem receber uma dose adicional, conhecida como dose zero. Essa aplicação não substitui as doses previstas no calendário nacional de vacinação.
Fora de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo, a orientação permanece voltada a pessoas de 6 meses a 59 anos que nunca tenham sido imunizadas contra o sarampo. Antes da aplicação, a situação vacinal deve ser conferida na caderneta.
O objetivo da estratégia é ampliar a proteção em áreas com maior risco de transmissão e alcançar também pessoas que se deslocam diariamente ou eventualmente entre diferentes municípios. A medida considera a circulação de trabalhadores, visitantes e outros públicos que podem ter contato com os locais onde há registros da doença.
Ministro destaca atuação do SUS
Durante visita à UBS Jardim Castro Alves, no Grajaú, zona sul de São Paulo, no sábado (15), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a atuação conjunta dos municípios, com apoio federal, pode ajudar a interromper a transmissão, como ocorreu no ano anterior.
“Essa ação firme do SUS local, de vacinar as pessoas, de orientar as pessoas, vai vencer essa batalha de novo”, afirmou o ministro em entrevista coletiva.
Padilha também relacionou o aumento dos registros em países da América do Norte à atuação de grupos antivacina. Ao comentar a situação nos Estados Unidos, declarou: “Países contaminados por movimento antivacina, como os Estados Unidos, estão vivendo hoje o maior surto de sarampo dos últimos 35 anos”, disse.
Aplicação de doses aumenta nas cidades
Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, aproximadamente 660 mil doses da vacina tríplice viral foram aplicadas nos três municípios desde 3 de agosto. Desse total, 500 mil foram administradas na capital, 90 mil em Guarulhos e 70 mil em São Bernardo do Campo. O governo estadual também informou que os 645 municípios paulistas estão abastecidos com vacinas.
Em âmbito nacional, o Ministério da Saúde afirma ter distribuído mais de 10 milhões de doses em 2026. Cerca de 3,6 milhões já foram aplicadas. Para reforçar os estoques e manter a capacidade de resposta diante da circulação do vírus, outros 3,2 milhões de doses foram destinadas ao abastecimento.
Fonte: Folha de São Paulo
Foto: https://www.magnific.com/br/fotos-gratis/covid-ainda-vida-com-vacina_17804926.htm