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Dieta cetogênica entra no debate sobre saúde mental, mas evidências ainda são limitadas
Alimentação

Dieta cetogênica entra no debate sobre saúde mental, mas evidências ainda são limitadas

por Esteticare 24 de março de 2026
escrito por Esteticare

A busca por alternativas no tratamento de transtornos mentais tem levado pacientes e pesquisadores a olhar com mais atenção para a alimentação. Entre as abordagens que ganharam espaço nos últimos anos está a dieta cetogênica, conhecida pelo alto consumo de gorduras e pela restrição de carboidratos. Embora tradicionalmente associada à perda de peso e ao controle da epilepsia, a estratégia alimentar passou a ser investigada também por seus possíveis efeitos no cérebro.

O interesse não surge por acaso. Casos individuais ajudam a impulsionar a discussão. A neurocientista Maya Schumer, de 32 anos, relatou ter convivido por mais de uma década com transtorno bipolar, enfrentando episódios persistentes de pânico, mania e depressão, mesmo após diferentes tratamentos com terapia e medicamentos. Em 2024, segundo ela, a situação chegou ao ponto mais crítico. Foi nesse contexto que decidiu testar a dieta cetogênica, por recomendação médica.

Após cinco meses com uma alimentação baseada em carnes, gorduras e baixa ingestão de carboidratos, ela observou redução nos ataques de pânico e melhora na concentração. A depressão, no entanto, só cedeu após a introdução de uma dose baixa de lítio. Combinando dieta e medicação, Schumer afirma que passou a se sentir mais estável.

O que caracteriza a dieta cetogênica

Criada na década de 1920 como tratamento para epilepsia, a dieta cetogênica tem como princípio induzir o corpo a um estado metabólico chamado cetose. Nesse processo, o organismo deixa de usar carboidratos como principal fonte de energia e passa a queimar gordura.

Para alcançar esse efeito, a alimentação prioriza itens como ovos, carnes, peixes, manteiga, castanhas e vegetais com baixo teor de amido, como folhas verdes e couve-flor. Em contrapartida, alimentos como arroz, pão, massas, açúcar, batata e a maior parte das frutas são reduzidos ou eliminados.

Segundo pesquisadores da área de psiquiatria metabólica, essa mudança pode estabilizar os níveis de açúcar no sangue e influenciar processos inflamatórios e químicos no cérebro, o que levantou hipóteses sobre possíveis impactos na saúde mental.

Estudos sugerem melhora, mas com limitações

Apesar do crescente interesse, as evidências científicas ainda são consideradas iniciais. Um dos primeiros indícios surgiu em 2017, quando um estudo de caso relatou melhora significativa em dois pacientes com transtorno esquizoafetivo após a adoção da dieta. Os sintomas teriam retornado rapidamente após a interrupção do regime alimentar.

Mais recentemente, ensaios pequenos trouxeram novos dados. Em um estudo de 2024 com 23 adultos diagnosticados com esquizofrenia ou transtorno bipolar, os sintomas apresentaram melhora média de 31% após quatro meses de dieta. Já uma pesquisa publicada em 2025, com 16 universitários com depressão maior, indicou redução de cerca de 70% nos sintomas após 10 a 12 semanas.

Há, no entanto, ressalvas importantes. Muitos participantes desses estudos também perderam peso e apresentaram melhora em indicadores físicos, como pressão arterial e inflamação. Esses fatores, por si só, podem influenciar o funcionamento cerebral e o bem-estar geral.

Outro ponto é a ausência de grupos de controle em parte das pesquisas. Isso dificulta separar o efeito direto da dieta de possíveis influências psicológicas, como o efeito placebo.

Um estudo mais robusto, publicado em fevereiro e conduzido com 88 pessoas com depressão clínica, incluiu essa comparação. Os participantes foram divididos entre um grupo que seguiu a dieta cetogênica e outro que apenas adotou hábitos alimentares mais saudáveis. Embora o grupo cetogênico tenha apresentado melhora maior, a diferença foi considerada pequena.

Riscos, desafios e necessidade de acompanhamento

Enquanto novas pesquisas estão em andamento, especialistas mantêm uma posição cautelosa. Um dos principais alertas envolve o risco de pacientes abandonarem tratamentos convencionais ao perceberem alguma melhora inicial com a dieta. Isso pode levar à piora dos sintomas ou até a crises graves.

Há também preocupações com os efeitos físicos de longo prazo. Versões populares da dieta costumam ser ricas em gorduras saturadas e pobres em fibras, o que pode aumentar o risco de doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer.

Outro obstáculo é a adesão. A restrição alimentar é significativa e exige mudanças profundas no dia a dia, incluindo preparo frequente de refeições e eliminação de alimentos comuns na rotina brasileira, como arroz, feijão e frutas.

Diante desse cenário, a recomendação é clara entre os profissionais: qualquer tentativa de adotar a dieta cetogênica deve ser feita com acompanhamento médico. O monitoramento permite ajustes, inclusive em medicações, e reduz riscos associados a mudanças bruscas.

A relação entre alimentação e saúde mental segue como um campo promissor, mas ainda em construção. Por enquanto, a dieta cetogênica aparece mais como um possível complemento do que como substituição dos tratamentos já consolidados.

Fonte: Folha de São Paulo
Foto: https://br.freepik.com/imagem-ia-gratis/celebracao-do-dia-mundial-da-saude-com-alimentos-saudaveis_138542873.htm

24 de março de 2026 0 comentário
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Corpo de verão
Mente

Corpo de verão: Como essa busca influencia na saúde física e mental

por Esteticare 6 de dezembro de 2024
escrito por Esteticare

Corpo de verão sofre sempre uma pressão estética que pode resultar em estresse físico e emocional

Com a proximidade do verão, a busca por estar com shape perfeito para desfilar pela praia ou em uma piscina se intensificam. E isso atinge mais mulheres e jovens. Além disso, a estação pode desencadear uma série de gatilhos, como a distorção de imagem. Tudo isso impacta negativamente na saúde, na qualidade de vida e no bem-estar de grande parte da população, que adota comportamentos extremos para imprimir a imagem ideal.

Corpo de verão

Para ter o corpo de verão, alguns indivíduos que lutam contra transtornos alimentares ou lidam com problemas de autoimagem, podem ficar mais vulneráveis.

A pessoa que está insatisfeita com o corpo pode colocar sua mente para trabalhar de modo errado, gerando enfermidades como depressão e ansiedade. Isso ocorre porque durante o projeto para emagrecer e estar bem para o verão, mais pessoas relatam pular refeições, por exemplo, ou praticar atividade física de forma exagerada. Tudo isso resulta em criar uma obsessão por corpos sarados e definidos, mas prejudicando sua alimentação.

Pressão estética

Por sua vez, a pressão estética pode se intensificar para as pessoas que estão acima do peso, o que também gera preconceitos sociais como a gordofobia. Segundo dados da pesquisa Obesidade e Gordofobia, realizada pela Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso) e pela Sociedade Brasileira de Metabologia e Endocrinologia (SBEM), 85,3% das pessoas nessa condição já foram vítimas desse tipo de preconceito.

Cuidados com a saúde mental no verão

  • Jamais optar por dietas que prometam resultados desejados de modo rápido, pois pode trazer prejuízos à saúde física e mental. 
  • Não tome qualquer medicamento sem prescrição e acompanhamento médico.
  • Fique atento ao tipo de conteúdo consumido nas mídias sociais, pois as redes costumam reforçar a ideia de que os corpos precisam estar dentro de um padrão. 
  • Entenda que o corpo de verão é um corpo saudável, construído com equilíbrio durante todas as estações do ano.

Hábitos saudáveis

Por fim, ao criar hábitos saudáveis ao longo do ano todo, através do equilíbrio, há um resultado estético que reflete a saúde, o bem-estar e a qualidade de vida, nutrindo o corpo e a mente.

Fonte: Foto de KamranAydinov na Freepik

6 de dezembro de 2024 0 comentário
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