Após dias de blocos sob sol forte, maquiagem intensa e muito suor, dermatologistas observam aumento de queixas como oleosidade excessiva, espinhas, vermelhidão e manchas. A sobrecarga típica do Carnaval compromete a barreira de proteção da pele e favorece inflamações. Para a dermatologista Ingrid Tavares, o período logo depois da folia é decisivo para restaurar o equilíbrio cutâneo e prevenir complicações.
“Durante a folia, a pele sofre uma sobrecarga muito grande. São horas de suor, maquiagem pesada, glitter e sol direto, o que fragiliza a barreira da pele e facilita inflamações”, explica Ingrid.
A combinação de calor intenso, exposição solar prolongada e acúmulo de produtos cosméticos cria um ambiente propício ao surgimento de problemas dermatológicos. Muitas pessoas só percebem os efeitos alguns dias depois, quando a pele começa a reagir com ardência, descamação ou surgimento de acne.
Resíduos acumulados favorecem cravos e dermatites
Segundo a especialista, a mistura da oleosidade natural da pele com poluição, protetor solar e maquiagem pesada tende a obstruir os poros. Esse bloqueio dificulta a respiração cutânea e estimula processos inflamatórios.
“Os poros ficam literalmente entupidos. Isso favorece o aparecimento de cravos, espinhas, vermelhidão e até dermatites em pessoas mais sensíveis”, afirma a dermatologista.
O problema pode se agravar quando há repetidas camadas de produtos ao longo do dia, algo comum em blocos de rua. Reaplicações de filtro solar sobre maquiagem, por exemplo, aumentam o acúmulo de resíduos. Sem uma higienização adequada ao fim do dia, a chance de acne no pós-Carnaval cresce de forma significativa.
Glitter pode provocar alergias e microlesões
Elemento quase obrigatório na maquiagem carnavalesca, o glitter exige atenção redobrada. Apesar da aparência leve e festiva, suas partículas podem causar pequenos traumas na superfície da pele.
“Algumas partículas são abrasivas e podem causar pequenas lesões, além de reações alérgicas. Em peles sensíveis, é comum vermelhidão, coceira e ardência”, alerta.
A recomendação é utilizar apenas produtos próprios para uso cosmético, evitando versões artesanais ou industriais não indicadas para contato com a pele. A remoção também deve ser cuidadosa, sem fricção excessiva, para não ampliar possíveis microlesões.
Limpeza correta é etapa central da recuperação
A retirada da maquiagem pesada precisa ser feita de maneira gradual. Esfregar o rosto com força, prática comum após longas horas de festa, tende a piorar a irritação já instalada.
“O ideal é começar com cleansing oil (demaquilante à base de óleos) ou água micelar, que dissolvem maquiagem pesada e glitter sem precisar esfregar. Depois, a lavagem com sabonete facial suave é fundamental”, orienta.
Sobre os lenços demaquilantes, ela complementa: “Eles ajudam, mas não substituem a limpeza completa. Sempre é necessário lavar o rosto depois”.
A esfoliação, por sua vez, não deve ser imediata. Embora muitas pessoas tentem promover uma limpeza profunda logo após a folia, o procedimento pode agravar quadros de ardência ou inflamação.
“Se a pele estiver ardendo ou vermelha, a esfoliação vai agravar a inflamação. O ideal é esperar a pele se recuperar e optar por versões suaves”, alerta.
Suor com maquiagem aumenta risco de acne
O calor típico do Carnaval brasileiro favorece a transpiração intensa. Quando o suor permanece por horas misturado a cosméticos e oleosidade natural, cria-se um ambiente úmido que facilita a proliferação de bactérias.
“Quando o suor se mistura com maquiagem e oleosidade, ocorre proliferação de bactérias. Isso aumenta muito o risco de acne e dermatites no pós-Carnaval”, explica a expert.
Quem já tem tendência à acne precisa redobrar os cuidados nos dias seguintes à festa, priorizando fórmulas leves, não comedogênicas e livres de álcool e fragrâncias marcantes.
Exposição solar urbana também exige proteção
A associação entre protetor solar e praia ainda é comum, mas blocos de rua expõem foliões a radiação intensa por várias horas seguidas. Mesmo em ambientes urbanos, a incidência de raios ultravioleta pode causar danos cumulativos.
“Mesmo nos blocos urbanos, a exposição solar é intensa e prolongada. Isso pode causar manchas, queimaduras e acelerar o envelhecimento da pele”, ressalta a dermatologista.
A orientação é reaplicar o filtro solar a cada duas horas, especialmente em atividades ao ar livre. No pós-Carnaval, manter o uso diário do protetor é fundamental para evitar hiperpigmentações em áreas sensibilizadas.
Ativos calmantes ajudam a restaurar a barreira cutânea
Depois da limpeza adequada, a hidratação passa a ser etapa estratégica. Produtos com ingredientes calmantes contribuem para reduzir a inflamação e devolver conforto à pele.
“Ingredientes como aloe vera, pantenol, niacinamida, água termal e ácido hialurônico ajudam a reduzir a inflamação e devolver conforto à pele”, explica.
Para Ingrid, simplificar a rotina é a melhor escolha nos dias seguintes à folia. Peles sensíveis ou acneicas devem evitar procedimentos agressivos, ácidos fortes e maquiagem pesada até que a barreira cutânea esteja restabelecida.
“Essas peles precisam evitar produtos agressivos, álcool, fragrâncias fortes e maquiagem pesada. Quanto mais simples e suave for a rotina, melhor será a recuperação”, afirma.
A recomendação final inclui limpeza suave duas vezes ao dia, hidratação calmante e uso regular de protetor solar. “A limpeza suave duas vezes ao dia, hidratação calmante e protetor solar são o tripé da recuperação da pele. Também é importante beber mais água, descansar e evitar produtos fortes por alguns dias”.
Fonte: Metrópoles
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