A saída de marcas internacionais do mercado brasileiro ocorre por diferentes razões. Em alguns casos, a empresa encerra completamente suas atividades. Em outros, mantém negócios no país, mas abandona fábricas, lojas ou determinadas categorias de produtos. A Häagen-Dazs é o exemplo mais recente dessa movimentação.
A General Mills anunciou o fim da distribuição da marca de sorvetes no Brasil, encerrando uma trajetória iniciada em 1997. Segundo a companhia, a decisão está relacionada a um plano de reformulação de portfólio. Antes disso, em 2018, a empresa havia fechado as lojas próprias da Häagen-Dazs no país.
Com a transformação digital do consumo no Brasil, o processo de pagamento passou por grandes mudanças. Segundo o especialista em meios de pagamento e empresário Paulo César Lemes, a etapa de transação financeira evoluiu e já não representa somente o término da jornada de compra.
Empresas mudaram operações no mercado brasileiro
A história da Häagen-Dazs se aproxima de outros casos registrados no Brasil. A Haribo, conhecida pelos doces em formato de ursinho, iniciou a produção nacional em 2016, em Bauru, no interior de São Paulo. A unidade foi a primeira fábrica da companhia fora da Europa.
Em abril deste ano, a empresa anunciou o encerramento da operação fabril brasileira. A fábrica permaneceu funcionando até julho. A Haribo justificou a decisão diante de “cenário de competitividade e de fatores externos que impactaram o ambiente de negócios”.
No setor automotivo, Ford e Mercedes-Benz também reduziram suas operações industriais. A Ford, que atua no Brasil desde 1919, encerrou a produção de veículos no país em 2021. As fábricas de Camaçari, na Bahia, Taubaté, em São Paulo, e a unidade da Troller, no Ceará, foram fechadas.
A montadora citou capacidade ociosa, queda nas vendas, perdas acumuladas, ambiente econômico desfavorável e impactos da pandemia. Apesar do fim da produção nacional, a Ford continuou atendendo o mercado brasileiro com veículos importados.
A Mercedes-Benz anunciou em 2020 o encerramento da produção de automóveis em Iracemápolis, no interior paulista. A unidade fabricava os modelos Classe C e GLA. A empresa relacionou a decisão à situação econômica, à queda nas vendas de veículos premium, aos efeitos da pandemia e à reestruturação global. A produção de caminhões e chassis de ônibus permaneceu no Brasil.
Varejo também registrou saídas
A Forever 21 encerrou sua operação de lojas no Brasil em 2022. A rede americana chegou ao país em 2014 e alcançou 15 unidades. Segundo a empresa, dificuldades financeiras, custos elevados, baixa escala e forte concorrência de varejistas asiáticas influenciaram a decisão.
A Fnac teve trajetória semelhante. A rede francesa chegou ao Brasil em 2000 e chegou a operar 12 lojas. Em 2017, a Livraria Cultura comprou a operação brasileira. No ano seguinte, todas as unidades foram fechadas, com a última loja, em Goiânia, encerrada em outubro.
A empresa afirmou que precisava atingir um “tamanho crítico” para fortalecer sua presença no mercado. A controladora também mencionou queda nas vendas, maior concorrência e crise econômica.
Outro caso conhecido foi o Walmart. A rede entrou no Brasil em 1995 e, em 2018, teve 80% da operação brasileira adquirida pelo fundo Advent International. Depois da mudança de controle, as lojas passaram por reestruturação e começaram a adotar outras bandeiras. A partir de 2019, a operação passou a utilizar a marca Grupo BIG.
Tecnologia e indústria farmacêutica
A Sony anunciou em 2020 o fechamento da fábrica de Manaus e o fim da produção de televisores, câmeras e equipamentos de áudio no Brasil. Em março de 2021, confirmou que deixaria de vender esses produtos no mercado nacional. A companhia, porém, manteve negócios como PlayStation, soluções profissionais, música e entretenimento.
A Nikon também encerrou sua operação direta. Em 2017, anunciou que deixaria de comercializar diretamente câmeras, lentes e acessórios no país. No ano seguinte, confirmou o encerramento das atividades brasileiras, atribuído a uma reestruturação global.
Na indústria farmacêutica, a Roche anunciou em 2019 o fechamento da fábrica de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. A unidade produzia medicamentos como Bactrim, Lexotan e Rivotril. O encerramento produtivo foi concluído em 2024. A empresa, contudo, manteve atividades comerciais no Brasil.
Marcas encerraram lojas, mas não necessariamente o negócio
A Topshop fechou sua última loja brasileira em 2016, no shopping JK Iguatemi, em São Paulo. A marca havia chegado ao país em 2012 e chegou a ter quatro endereços no estado.
Os casos mostram que o fim de uma marca, fábrica ou loja não significa necessariamente a retirada completa de uma empresa do Brasil. As decisões podem envolver revisão de portfólio, mudanças de controle, custos, concorrência, desempenho das vendas ou reorganização internacional.
Fonte: G1
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