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Por que roer unhas e procrastinar pode ser uma defesa do cérebro, segundo a ciência

por Esteticare 4 de fevereiro de 2026
4 de fevereiro de 2026
Por que roer unhas e procrastinar pode ser uma defesa do cérebro, segundo a ciência

Roer as unhas até sentir dor, exagerar no consumo de alimentos ultraprocessados depois de um dia difícil ou abrir redes sociais justamente quando uma tarefa importante precisa começar costumam ser vistos como falhas de autocontrole. Pesquisas recentes em psicologia e neurociência, no entanto, indicam que esses comportamentos podem cumprir uma função inesperada. Em vez de simples vícios, eles atuariam como estratégias de autoproteção do organismo diante de ameaças emocionais percebidas como intensas.

A lógica parte de um princípio central da neurociência afetiva e da psicologia evolutiva. O cérebro humano não foi moldado para garantir felicidade ou produtividade constante, mas para preservar a sobrevivência. Esse sistema, que ajudou nossos ancestrais a reagir rapidamente a perigos concretos, permanece ativo mesmo em um contexto em que as ameaças são, em grande parte, simbólicas.

Segundo o psicólogo clínico Charlie Heriot-Maitland, autor de Controlled Explosions in Mental Health, a mente tende a escolher um dano menor e previsível quando se sente diante de um risco maior e difuso. Para ele, o cérebro prefere provocar um desconforto controlado a enfrentar uma ameaça emocional que pareça imprevisível ou avassaladora.

Um alarme que não desliga

No ambiente contemporâneo, o sistema de detecção de ameaças opera de forma quase permanente. Situações como críticas no trabalho, prazos apertados, medo de fracassar ou insegurança financeira ativam os mesmos circuitos cerebrais que, no passado, eram mobilizados diante de predadores ou disputas físicas. O corpo reage como se estivesse em perigo real.

Diante desse estado de alerta prolongado, o cérebro busca formas rápidas de alívio. É nesse ponto que surgem comportamentos automáticos, repetitivos e, muitas vezes, prejudiciais. Heriot-Maitland descreve essas reações como “explosões controladas”, pequenas descargas de tensão que funcionam como válvulas de segurança emocionais.

Roer as unhas como estratégia de controle

À primeira vista, atos como roer as unhas ou cutucar a pele parecem desprovidos de lógica. A ciência, porém, aponta que a previsibilidade é o elemento central. Quando a ameaça é emocional e abstrata, provocar um desconforto físico concreto direciona a atenção para algo tangível e conhecido.

Esse mecanismo cria o que pesquisadores chamam de “custo conhecido”. O indivíduo aceita um dano menor, localizado e sob controle para reduzir o impacto de uma angústia percebida como maior. A dor física, por ser limitada e previsível, torna-se mais fácil de administrar do que emoções difusas, como ansiedade, culpa ou medo de rejeição.

Procrastinação e proteção da autoestima

O mesmo raciocínio se aplica à procrastinação. A literatura científica classifica esse comportamento como self-handicapping, termo usado para descrever estratégias de autolimitação que protegem a autoestima. Ao adiar uma tarefa importante, a pessoa cria uma explicação alternativa para um possível fracasso.

Se alguém não estuda para uma prova e obtém um resultado ruim, pode atribuir o desempenho à falta de esforço. Essa narrativa é menos dolorosa do que enfrentar a possibilidade de ter se dedicado ao máximo e ainda assim falhado. Para o cérebro, preservar a autoimagem representa uma forma de autoproteção emocional.

Um mecanismo que não é só humano

Comportamentos de autossacrifício não são exclusivos da espécie humana. Em insetos sociais, indivíduos chegam a morrer para proteger a colônia. Entre pessoas, a lógica segue um princípio semelhante. Abre-se mão do bem-estar imediato, como saúde física ou desempenho, para reduzir um risco percebido como maior no futuro.

O problema surge quando esse sistema, desenvolvido para situações pontuais de vida ou morte, passa a operar continuamente. No contexto do estresse crônico do século XXI, estratégias que antes ofereciam alívio momentâneo podem se transformar em padrões prejudiciais, alimentando ciclos de ansiedade, culpa e frustração.

Caminhos para interromper o ciclo

Compreender esses comportamentos como mecanismos de defesa muda a forma de abordá-los. Terapias contemporâneas, como a Terapia Focada na Compaixão, propõem que o primeiro passo não seja eliminar o hábito à força, mas entender sua função psicológica.

A autocrítica excessiva tende a agravar o problema. Quando a pessoa se julga duramente por roer as unhas ou procrastinar, o cérebro interpreta esse julgamento como mais uma ameaça, reforçando a necessidade de recorrer às “explosões controladas” para se acalmar. Criar uma sensação interna de segurança, por meio de acolhimento e estratégias de regulação emocional, reduz a dependência desses comportamentos.

A ciência, portanto, sugere uma mudança de perspectiva. Em vez de enxergar esses hábitos apenas como falhas individuais, eles podem ser entendidos como sinais de um sistema nervoso sobrecarregado, tentando, da melhor forma que conhece, manter o equilíbrio.

Fonte: Portal Terra
Foto: https://br.freepik.com/fotos-gratis/adulto-jovem-lidando-com-a-sindrome-do-impostor_32221458.htm

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