A tecnologia aplicada à saúde passou a incorporar, nos últimos anos, um olhar mais direcionado às demandas específicas das mulheres. Esse movimento estimulou o surgimento de produtos digitais e serviços criados desde o início para lidar com questões relacionadas ao corpo feminino, o que levou ao crescimento de um segmento conhecido como femtech.
O termo combina as palavras “fem”, de feminino, e “tech”, de tecnologia. Ele é usado para definir empresas, aplicativos, plataformas e dispositivos voltados à saúde feminina. O setor inclui desde ferramentas simples de monitoramento do ciclo menstrual até soluções mais complexas de acompanhamento médico e dispositivos conectados.
Com o avanço do uso de smartphones e a expansão da saúde digital, essas tecnologias passaram a alcançar um número cada vez maior de usuárias em diferentes países. Ao mesmo tempo, o crescimento do setor trouxe debates sobre privacidade, já que muitas dessas plataformas lidam com informações sensíveis relacionadas à saúde.
Tecnologia voltada para saúde feminina
A femtech reúne soluções tecnológicas voltadas principalmente para áreas como saúde reprodutiva, sexual, hormonal e bem-estar feminino.
Grande parte dessas ferramentas funciona por meio de aplicativos de celular que permitem registrar dados relacionados ao corpo, como ciclo menstrual, sintomas físicos e emocionais ou padrões hormonais. A partir dessas informações, os programas podem oferecer previsões e conteúdos informativos.
Outra frente envolve serviços digitais que conectam usuárias a profissionais da área da saúde. Plataformas desse tipo oferecem triagem, orientação e, em alguns casos, consultas remotas.
O crescimento desse mercado trouxe também questionamentos sobre o uso de dados pessoais. Informações sobre saúde estão entre os dados considerados mais sensíveis, o que aumenta a pressão para que empresas do setor adotem políticas claras de privacidade.
Nos Estados Unidos, esse tema já foi discutido judicialmente em casos relacionados a aplicativos de monitoramento menstrual. Um exemplo envolve o aplicativo Flo Health. Uma ação coletiva movida por usuárias resultou em um acordo que prevê pagamentos por parte da Google e da própria empresa.
Outro processo analisado por um júri norte-americano concluiu que a Meta coletou dados menstruais de usuárias de forma ilegal, com base na legislação de privacidade da Califórnia.
Aplicativos e dispositivos no mercado
O avanço da femtech está diretamente ligado à popularização dos smartphones e ao crescimento de aplicativos de saúde.
Ferramentas voltadas ao acompanhamento do ciclo menstrual e da fertilidade foram algumas das primeiras a ganhar espaço nesse mercado. Com o tempo, as plataformas passaram a incorporar novas funcionalidades e ampliar o tipo de serviço oferecido.
Hoje, o setor reúne soluções variadas, incluindo aplicativos de monitoramento de saúde, plataformas de atendimento remoto e dispositivos físicos conectados a aplicativos.
Algumas empresas se tornaram referências nesse mercado.
Flo
O Flo é um dos aplicativos mais conhecidos quando se fala em acompanhamento do ciclo menstrual. A plataforma permite registrar sintomas, acompanhar fases do ciclo e receber previsões de ovulação.
O aplicativo também oferece conteúdos educativos e recursos voltados ao acompanhamento da gravidez. Outra funcionalidade permite compartilhar determinadas informações com parceiros.
Clue
O Clue apresenta uma proposta semelhante à de outros aplicativos de ciclo menstrual, mas destaca o uso de dados e pesquisas científicas para acompanhar padrões do corpo.
A ferramenta registra informações relacionadas ao ciclo e busca identificar variações ao longo do tempo. O aplicativo também expandiu suas funcionalidades para outras fases da vida, como a perimenopausa.
Natural Cycles
O Natural Cycles utiliza dados corporais para estimar dias férteis e não férteis ao longo do ciclo menstrual.
A plataforma pode ser usada por mulheres que desejam planejar uma gravidez ou evitar a gestação, dependendo do objetivo da usuária.
Elvie
A empresa Elvie se destacou por desenvolver dispositivos físicos conectados a aplicativos. Entre os produtos estão uma bomba tira-leite e soluções voltadas ao período pós-parto.
Outro equipamento da empresa funciona como um treinador de assoalho pélvico. O dispositivo utiliza biofeedback conectado ao aplicativo para orientar exercícios e ajudar na execução correta das técnicas.
Esses produtos, porém, não estão disponíveis atualmente para usuárias brasileiras.
Startups brasileiras entram no setor
O avanço da femtech também pode ser observado no Brasil, onde startups começaram a desenvolver soluções voltadas a diferentes fases da vida das mulheres.
Essas iniciativas costumam combinar tecnologia digital, conteúdo informativo e serviços de acompanhamento.
Um exemplo é a Plenapausa, empresa brasileira criada em 2021. A plataforma foi desenvolvida com foco em mulheres que passam pela menopausa e pelo climatério.
A proposta inclui materiais educativos e ferramentas digitais que ajudam as usuárias a compreender sintomas e mudanças comuns nesse período da vida.
Com o crescimento do interesse por soluções digitais de saúde e bem-estar, empresas de femtech tendem a ampliar sua presença no mercado, oferecendo serviços que buscam atender necessidades específicas da saúde feminina.
Fonte: CNN Brasil
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