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Porções menores ganham espaço nos restaurantes dos EUA com avanço dos remédios para emagrecimento
Alimentação

Porções menores ganham espaço nos restaurantes dos EUA com avanço dos remédios para emagrecimento

por Esteticare 24 de fevereiro de 2026
escrito por Esteticare

As porções fartas que por décadas marcaram a gastronomia dos Estados Unidos começam a perder espaço. Restaurantes de diferentes perfis, das grandes redes aos endereços independentes, vêm reduzindo o tamanho dos pratos como resposta a dois movimentos simultâneos. De um lado, o aumento persistente do custo de vida e da operação do setor. De outro, a expansão do uso de medicamentos para perda de peso, que reduzem o apetite e mudam o comportamento do consumidor.

A oferta de pratos principais menores, muitas vezes descritos como versões leves ou intermediárias, surge também como estratégia para atrair clientes com orçamento mais restrito, interessados em refeições mais baratas e menos calóricas. A mudança já aparece de forma concreta em grandes cadeias nacionais.

A rede de culinária asiática PF Chang’s, que opera cerca de 200 unidades no país, lançou no ano passado uma porção média para seus pratos principais. O movimento busca acomodar tanto clientes que querem gastar menos quanto aqueles que não desejam refeições muito volumosas.

No segmento de fast food, o ajuste também está em curso. O KFC vem revisando o tamanho das porções e a textura de seus produtos nas aproximadamente 4.000 lojas que mantém nos Estados Unidos. Segundo Chris Turner, presidente-executivo da Yum Brands, a adaptação faz parte de um esforço mais amplo para lidar com a desaceleração do consumo.

Custos elevados e menos clientes

O contexto econômico ajuda a explicar a mudança. O setor de restaurantes acumula cinco meses consecutivos de queda no fluxo de clientes e nas vendas, de acordo com a empresa de pesquisa de mercado Black Box Intelligence. A combinação de inflação persistente, salários pressionados e aumento nos preços de insumos afeta diretamente a rentabilidade dos estabelecimentos.

Além de custos maiores com energia e mão de obra, os restaurantes lidam com valores historicamente altos da carne bovina. Agora, enfrentam também uma transformação no padrão de consumo associada ao uso crescente de medicamentos para emagrecimento à base de GLP-1, conhecidos por suprimir o apetite. Analistas avaliam que a redução das porções pode ser uma resposta direta a esse novo cenário.

Estimativas do instituto de pesquisa Rand indicam que quase 12% dos norte-americanos já utilizam esse tipo de medicamento. Um levantamento da Morning Consult mostrou que esses usuários tendem a cozinhar mais em casa e a pedir menos comida quando frequentam restaurantes.

Redes tradicionais aderem ao novo formato

A mudança chegou também a marcas conhecidas pelo excesso. A rede italiana Olive Garden, famosa pela oferta ilimitada de sopa ou salada e pães, incluiu no mês passado sete itens em tamanhos reduzidos no cardápio de seus cerca de 900 restaurantes no país.

Para JP Frossard, analista de alimentos de consumo do Rabobank, o caminho é direto. “A resposta óbvia é reduzir as porções”, afirmou. “Reduzir as porções pode tornar os cardápios mais acessíveis e trazer os clientes de volta e isso também se encaixa bem com a questão do GLP-1”, acrescentou.

Historicamente, o tamanho das porções nos Estados Unidos cresceu de forma acelerada ao longo do século 20, impulsionado pela industrialização do pós-guerra e pelo barateamento de ingredientes como milho, trigo, açúcar, carne e óleos vegetais. Um estudo publicado em 2024 na revista Foods apontou que as porções consumidas no país eram, em média, 13% maiores do que as da França.

Especialistas em saúde pública há anos associam essa “distorção das porções” ao desperdício de alimentos e ao avanço da obesidade. O atual secretário de Saúde dos EUA, Robert F. Kennedy Jr., recomendou recentemente que os americanos aumentem o consumo de proteínas, reduzam açúcar e ultraprocessados e “prestem atenção ao tamanho das porções” dentro da política Make America Healthy Again.

Consumidor sinaliza apoio à mudança

Pesquisas indicam que o público está disposto a aceitar a transformação. Um levantamento de 2024 da National Restaurant Association mostrou que 75% dos clientes preferem porções menores por um preço mais baixo.

Esse dado levou a rede de frutos do mar Angry Crab Shack a lançar um cardápio de almoço com cestas reduzidas de bacalhau empanado, cheeseburgers e sanduíches de lagosta frita com batatas. “Foi feito para oferecer preços mais acessíveis”, comentou Andy Diamond, presidente da rede.

Em Nova York, o restaurante italiano Tucci foi além. O estabelecimento criou no ano passado um chamado “cardápio Ozempic”, disponível sob solicitação. Nele, itens como almôndegas ou arancini são servidos individualmente, em vez da porção tradicional de três, por pouco mais de um terço do preço.

“Não estou defendendo os GLP-1. O que estou defendendo é que o cliente decida o que é certo para ele”, declarou Max Tucci, fundador do restaurante. “O apetite deles está reduzido e não queremos que saiam se sentindo estufados e como se tivessem desperdiçado comida”.

Mesmo assim, Tucci reconhece que ainda existe um público fiel às grandes porções que caracterizam os restaurantes ítalo-americanos. O desafio, agora, é equilibrar tradição, custos e um novo padrão de consumo que parece ter vindo para ficar.

Fonte: Folha de São Paulo
Foto: https://br.freepik.com/fotos-premium/pena-de-injeccao-de-insulina-ou-caneta-de-cartucho-de-insulina-para-diabeticos-e-perda-de-peso_412398850.htm

24 de fevereiro de 2026 0 comentário
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Anvisa reforça alerta sobre canetas emagrecedoras e risco de pancreatite
Corpo

Anvisa reforça alerta sobre canetas emagrecedoras e risco de pancreatite

por Esteticare 12 de fevereiro de 2026
escrito por Esteticare

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária publicou nesta segunda feira, 9, em Brasília, um alerta de farmacovigilância sobre os riscos associados ao uso inadequado de medicamentos agonistas do receptor GLP 1, conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras. O comunicado chama atenção para a necessidade de reforçar as orientações de segurança diante do aumento de notificações de eventos adversos no Brasil e em outros países.

O grupo de medicamentos citado pela Anvisa inclui dulaglutida, liraglutida, semaglutida e tirzepatida, substâncias aprovadas no país para indicações específicas e que exigem prescrição médica. Segundo a agência, embora o risco de pancreatite já conste nas bulas, o crescimento dos relatos levou à emissão de um novo alerta direcionado a pacientes, profissionais de saúde e estabelecimentos de venda.

“Conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras, esses medicamentos devem ser utilizados exclusivamente conforme as indicações aprovadas em bula e sob prescrição e acompanhamento de profissional habilitado”, destacou a Anvisa no comunicado oficial divulgado hoje.

De acordo com a agência reguladora, o acompanhamento médico é essencial devido à possibilidade de eventos adversos graves, entre eles a pancreatite aguda. Em alguns casos, a condição pode evoluir para formas necrotizantes e fatais, o que reforça a importância do diagnóstico precoce e da interrupção imediata do uso diante de suspeitas clínicas.

A Anvisa esclareceu que o alerta não altera a avaliação de risco e eficácia das substâncias. “Apesar do alerta, não houve mudança na relação de risco e eficácia dessas substâncias. Ou seja, os benefícios terapêuticos ainda superam os efeitos adversos, de acordo com as indicações e modos de uso aprovados e constantes da bula”, informou a agência.

O documento também menciona um posicionamento recente da Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde do Reino Unido. No início do mês, a MHRA emitiu alerta sobre o risco, considerado pequeno, de ocorrência de pancreatite aguda grave em pacientes em tratamento com medicamentos da mesma classe.

Dados e medidas regulatórias

Levantamento da Anvisa aponta que, entre 2020 e 7 de dezembro de 2025, foram registradas 145 notificações de suspeitas de eventos adversos relacionados ao uso desses medicamentos no Brasil. No mesmo período, houve seis notificações de casos suspeitos com desfecho de óbito, informação que contribuiu para o reforço das ações de monitoramento.

Em junho de 2025, a agência determinou a retenção obrigatória da receita médica para a venda das canetas emagrecedoras em farmácias e drogarias. A medida passou a exigir prescrição em duas vias, com a venda condicionada à retenção do documento, procedimento semelhante ao adotado para antibióticos.

As receitas têm validade de até 90 dias a partir da data de emissão. Segundo a Anvisa, a decisão buscou reduzir o uso fora das indicações aprovadas e ampliar a segurança dos pacientes. “A decisão teve como objetivo proteger a saúde da população brasileira, visto que foi observado um número elevado de eventos adversos relacionados ao uso desses medicamentos fora das indicações aprovadas”, destacou a agência.

A Anvisa também alertou para os riscos do uso indiscriminado, especialmente para emagrecimento sem necessidade clínica. “A Anvisa destaca que o uso indiscriminado e fora das indicações autorizadas, especialmente para emagrecimento sem necessidade clínica, eleva significativamente o risco de efeitos adversos e dificulta o diagnóstico precoce de complicações graves”, completou.

Orientações e histórico

No comunicado, a agência orienta que usuários procurem atendimento médico imediato ao apresentar dor abdominal intensa e persistente, que pode irradiar para as costas e estar associada a náuseas e vômitos, sintomas sugestivos de pancreatite. Profissionais de saúde devem suspender o tratamento ao suspeitar da reação e não retomar o uso caso o diagnóstico seja confirmado.

A Anvisa reforçou ainda a importância da notificação de eventos adversos no sistema VigiMed, ferramenta utilizada para monitorar reações relacionadas a medicamentos e vacinas. Segundo a agência, o registro contribui para o acompanhamento contínuo da segurança desses produtos, que estão há pouco mais de cinco anos no mercado nacional.

Ao longo dos últimos anos, a Anvisa já emitiu outros alertas envolvendo canetas emagrecedoras, como o risco de aspiração durante procedimentos anestésicos e a associação entre o uso de semaglutida e perda de visão.

Fonte: Agência Brasil
Foto: https://br.freepik.com/fotos-premium/ozempic-insulin-caneta-de-injeccao-ou-caneta-de-cartucho-de-insulina-para-diabeticos_192558913.htm

12 de fevereiro de 2026 0 comentário
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