Calor, noites curtas, álcool e alimentação desregulada costumam deixar marcas no organismo após o Carnaval. Especialistas apontam que a combinação favorece a chamada “ressaca intestinal”, quadro marcado por inchaço, alterações no trânsito intestinal e queda na disposição. A recuperação passa por hidratação adequada, sono regular e reequilíbrio da microbiota, com foco em fibras prebióticas e escolhas alimentares mais conscientes.
O Carnaval brasileiro coincide com o auge do verão. Em muitas cidades, os termômetros ultrapassam os 30 °C enquanto blocos e festas atravessam o dia e avançam pela madrugada. O corpo, submetido a esforço físico, privação de sono e consumo elevado de bebidas alcoólicas, responde nos dias seguintes.
É comum surgirem estufamento, gases, constipação ou diarreia, além de sensação de fadiga. Nutricionistas vêm usando a expressão “ressaca intestinal” para descrever esse conjunto de sintomas ligados ao desequilíbrio da flora intestinal.
O que acontece com o organismo na folia
O intestino é frequentemente chamado de “segundo cérebro” por sua relação com o sistema nervoso e com a produção de neurotransmissores como a serotonina. Ele participa da absorção de nutrientes e concentra parte significativa das células de defesa do corpo.
Durante o Carnaval, três fatores costumam agir em conjunto. O primeiro é o álcool, que pode prejudicar a barreira intestinal e favorecer processos inflamatórios. O segundo é o consumo excessivo de açúcar e gordura, comum em alimentos ultraprocessados e de preparo rápido. Em excesso, esses produtos fermentam no intestino e contribuem para gases e desconforto. O terceiro é a desidratação, agravada pelo calor intenso e pelo efeito diurético do álcool.
Essa combinação altera a microbiota intestinal. Bactérias consideradas benéficas diminuem, enquanto microrganismos associados a processos inflamatórios ganham espaço. O resultado aparece rapidamente no espelho e na rotina: barriga inchada, mal-estar, imunidade mais baixa e cansaço persistente.
Hidratação e sono como primeiros passos
A reorganização começa por medidas simples. A ingestão de água deve ser reforçada nos dias seguintes à festa. A ideia é compensar a perda de líquidos e auxiliar o funcionamento dos rins na eliminação de metabólitos do álcool.
Água mineral, água de coco e chás com ação diurética leve, como hibisco ou cavalinha, podem contribuir para reduzir a retenção de líquidos. A hidratação adequada também favorece o trânsito intestinal.
O sono é outro ponto central. Durante as fases mais profundas do descanso, o organismo libera hormônios ligados à regeneração celular e ao controle da inflamação. Após uma sequência de noites mal dormidas, priorizar pelo menos oito horas de sono por alguns dias ajuda a restabelecer o equilíbrio fisiológico.
Fibras prebióticas e o reequilíbrio da microbiota
Além de cortar excessos e retomar refeições mais equilibradas, especialistas destacam a importância das fibras prebióticas. Diferentemente dos probióticos, que são as próprias bactérias benéficas, os prebióticos funcionam como substrato para que esses microrganismos se desenvolvam.
Alimentos ricos em fibras, como frutas, verduras, legumes, aveia e leguminosas, favorecem a recomposição gradual da flora intestinal. Entre as fibras estudadas está a inulina, extraída de fontes como a chicória. Ela é reconhecida por estimular o crescimento de bactérias benéficas e auxiliar na regulação do intestino.
Nos últimos anos, a indústria de alimentos ampliou a oferta de produtos com esse perfil. Além de iogurtes e suplementos, surgiram bebidas funcionais que combinam gás e fibras prebióticas. A proposta é oferecer alternativa aos refrigerantes tradicionais, que costumam ter alto teor de açúcar e poucos nutrientes.
Bebidas funcionais ganham espaço
Um exemplo dessa tendência no Brasil é a Wondr. A marca aposta em refrigerantes com fibra prebiótica inulina na composição. A ideia é unir a experiência sensorial de uma bebida gaseificada a um ingrediente associado ao equilíbrio intestinal.
Ao substituir refrigerantes convencionais por versões com fibras, o consumidor reduz a ingestão de calorias vazias e amplia o aporte de componentes que contribuem para a saúde da microbiota. Para quem busca reorganizar o corpo após o Carnaval, a troca pode fazer parte de um conjunto de medidas.
Entre os possíveis benefícios do consumo regular de prebióticos estão a redução do inchaço abdominal, a melhora do funcionamento intestinal e o fortalecimento da imunidade, já que grande parte das células de defesa está associada ao trato gastrointestinal. Há ainda estudos que relacionam o equilíbrio da microbiota à produção de neurotransmissores envolvidos na regulação do humor.
Retomada gradual e escolhas conscientes
A recuperação pós-folia não exige medidas radicais. O mais efetivo é retomar a rotina alimentar, priorizar alimentos in natura, aumentar a ingestão de fibras e líquidos e garantir descanso adequado.
O organismo possui capacidade de adaptação e regeneração. Com hidratação consistente, sono regular e suporte nutricional adequado, os sintomas tendem a diminuir em poucos dias. O desconforto abdominal e a sensação de peso dão lugar a maior disposição.
Depois de um período de excessos, o equilíbrio volta a ser o eixo central. Ajustes simples, mantidos de forma contínua, ajudam não apenas na recuperação após o Carnaval, mas também na manutenção da saúde intestinal ao longo do ano.
Fonte: Portal Terra
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