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Água dura na Europa afeta o cabelo? O que é mito e o que é efeito do calcário nos fios

por Esteticare 4 de março de 2026
4 de março de 2026
Água dura na Europa afeta o cabelo? O que é mito e o que é efeito do calcário nos fios

Brasileiros que se mudam para países europeus costumam relatar mudanças no cabelo poucas semanas após a chegada. Fios mais ásperos, perda de brilho, dificuldade para desembaraçar e a impressão de que a queda aumentou fazem parte das queixas mais comuns. A brasileira Luana Santiago, que mora na Alemanha, descreve a experiência sem rodeios. “Toda vez que eu lavo o meu cabelo, vai caindo cada vez mais. Então, são tufos e tufos de cabelo que, às vezes, eu fico assustada”.

Rafael Gonsalez, também residente na Alemanha, percebe algo semelhante. “Você começa a ver mais do seu couro cabeludo. Você começa a perceber que, quando você penteia, saem mais fios”. Já Juliana Makalima, que vive no mesmo país, chama atenção para outro problema. “Meu cabelo tem muito mais nós. Então, eu tenho dificuldade de desembaraçar, e isso faz com que ele quebre também”.

O fenômeno costuma ser atribuído à chamada água dura, característica comum em várias regiões da Europa. Mas o que realmente acontece com os fios?

O que é água dura e como ela age no cabelo

Água dura é aquela com alta concentração de minerais, principalmente cálcio e magnésio. São esses elementos que formam o calcário, visível nas manchas brancas em pias, box e eletrodomésticos. Em muitos países europeus, há inclusive medições oficiais que indicam o nível de dureza da água por região.

Quando entra em contato com o cabelo, essa água rica em minerais modifica a superfície dos fios. O acúmulo de cálcio e magnésio interfere na abertura e no fechamento das cutículas, o que altera a textura. O resultado costuma ser cabelo mais ressecado, poroso, opaco e com maior tendência a embaraçar.

A quebra também pode aumentar. Fios mais ásperos e cheios de nós exigem mais tração ao pentear ou escovar, o que favorece a ruptura ao longo do comprimento. A sensação de que há mais cabelo no ralo muitas vezes está ligada a esse processo mecânico.

O que a água dura não provoca, segundo especialistas, é queda capilar pela raiz.

“Não tem queda da raiz do cabelo. Essa queda não é verdadeira. A gente tem uma queda normal, diária, de 100 fios”, explica o dermatologista Leonardo Spagnol Abraham. Ele lembra que fatores comportamentais também influenciam a percepção. “Muitas vezes, o paciente vai para um país frio, acaba lavando menos o cabelo. Isso vai acumulando mais cabelo na cabeça e vai aumentando uma queda proporcional.”

O ciclo capilar sofre impacto de múltiplas variáveis. Mudanças bruscas de rotina, adaptação cultural e estresse emocional podem desencadear eflúvio telógeno, quadro temporário de queda acentuada que costuma aparecer cerca de três meses após o evento desencadeante. Alterações na tireoide, tanto no hipertireoidismo quanto no hipotireoidismo, também devem ser investigadas em casos persistentes. A alopecia androgenética, conhecida como calvície, segue como uma das causas mais frequentes. Já deficiência de vitaminas é rara. “Menos de 1% das causas de queda de cabelo, de eflúvio telógeno, é falta de vitaminas”, afirma Abraham.

Filtros, vinagre e produtos específicos funcionam?

Diante do desconforto, imigrantes recorrem a diferentes estratégias. Filtros instalados no chuveiro estão entre as soluções mais populares. Eles podem reduzir temporariamente a concentração de minerais, mas têm vida útil limitada. À medida que o material filtrante satura de cálcio e magnésio, perde eficiência e precisa ser substituído.

Outra prática comum é o enxágue final com água destilada ou mineral. A destilada, vendida em farmácias, não contém metais. A mineral geralmente apresenta menor teor de cálcio e magnésio do que a água encanada. Embora possam diminuir o acúmulo de calcário nos fios, são alternativas pouco práticas no dia a dia, especialmente em regiões frias.

Juliana adotou uma solução caseira. “Aplico uma mistura de água destilada e vinagre de maçã após o shampoo”. Há base química para o método. Segundo o farmacêutico Victor Infante, especializado em cosméticos, o vinagre ajuda a acidificar o fio e favorecer o fechamento das cutículas, reduzindo a interação com os minerais. Ele alerta, porém, que o uso inadequado pode irritar o couro cabeludo. Por isso, recomenda cosméticos acidificantes formulados com pH controlado.

Infante também observa que produtos fabricados no Brasil nem sempre apresentam o mesmo desempenho em países com água dura, pois não foram desenvolvidos para essa condição. Em tese, formulações europeias tendem a considerar esse cenário. Ainda assim, brasileiros com cabelo crespo e cacheado relatam dificuldade para encontrar variedade de itens adequados. Luana resume a adaptação de forma prática. “Eu diria que 70% da minha mala é produto de cabelo”.

Rotina de tratamento vira estratégia de adaptação

Sem solução definitiva, muitos imigrantes ajustam a rotina. Luana lava o cabelo uma vez por semana e inclui etapas de nutrição, hidratação, reconstrução e acidificação. O processo pode levar três horas. Rafael, que vive na Europa há sete anos, combina máscaras e óleos para reduzir a quebra e facilitar o penteado.

“Ser como era no Brasil, acho que não volta a ser”, diz ele.

Com o tempo, parte da frustração dá lugar à adaptação. “Eu já aceitei, porque não tem como mudar. Quando eu me mudei para cá, afetava bastante minha autoestima, porque eu via que meu cabelo estava muito seco”, relata Luana. “Mas aqui você percebe que a cultura em relação a beleza é muito diferente. Eles não dão essa importância que talvez damos no Brasil”, diz.

Entre calcário, clima frio e mudança de rotina, o cabelo acaba refletindo mais do que a qualidade da água. Ele registra, fio a fio, o processo de adaptação a uma nova vida.

Fonte: G1
Foto: https://br.freepik.com/fotos-gratis/lavagem-de-adolescentes-para-reduzir-o-efeito-da-ressaca_75524017.htm

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