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Risco de demência aumenta em até 28% ao consumir ultraprocessados

por Esteticare 9 de agosto de 2022
9 de agosto de 2022
Risco de demência

Risco de demência nesta porcentagem integra estudo da Universidade Médica de Tianjin, na China,

Em torno de 30% dos casos de demência vascular, que hoje é o segundo tipo mais comum do declínio cognitivo, poderiam ser evitados ao retirar da despensa alimentos ultraprocessados. Isso inclui: salgadinhos, refrigerantes, batata frita congelada e embutidos.

Risco de demência

Além disso, de acordo com um artigo na revista Neurology, 72 mil pessoas acima de 55 anos demonstra que uma dieta composta por ingredientes naturais ou minimamente processados possui potencial de prevenir 14% das ocorrências de Alzheimer.

É o que diz o estudo da Universidade Médica de Tianjin, na China. O levantamento é mais um a indicar a relação entre alimentação e saúde cerebral. O tema desperta o interesse da ciência à medida que se espera uma explosão na prevalência dos vários tipos de demência. Atualmente, 55 milhões de pessoas vivem com a condição, conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), que projeta 78 milhões de casos em 2030 e 139 milhões daqui a 28 anos.

Alimentos ultraprocessados

Os alimentos ultraprocessados são produtos industrializados que utilizam partes de vários alimentos. Isso inclui o amido retirado de um e o açúcar, de outro. E ainda há a presença de substâncias químicas artificiais para dar cor, sabor e estender a validade do item.

Segundo a médica nutróloga Marcella Garcez, diretora da Associação Brasileira de Nutrologia e membro da Sociedade Brasileira para o Estudo do Envelhecimento:

“São aqueles que você não consegue dizer do que são feitos, como salsichas.”

E também entram na categoria refrigerantes, molhos e empanados comprados prontos, complementa.

“Os alimentos ultraprocessados reduzem a qualidade da dieta”, disse, em nota, o principal autor do estudo, Huiping Li. “Esses alimentos também podem conter aditivos alimentares ou moléculas produzidas durante a embalagem e o aquecimento, todos os quais demonstraram, em outros estudos, ter efeitos negativos nas habilidades de pensamento e memória. Nossa pesquisa não apenas descobriu que os alimentos ultraprocessados estão associados a um risco aumentado de demência, mas descobriu que substituí-los por opções saudáveis pode diminuir esse risco.”

Base do estudo

O estudo chinês baseia-se em um banco de dados do Reino Unido, que contém dados de saúde de residentes da região. A pesquisa coletou dados de pessoas que tinham 55 anos ou mais. Porém, eles não apresentavam demência no começo da pesquisa.

Eles foram acompanhados por uma média de 10 anos. Por fim, 518 foram diagnosticadas com algum tipo de degeneração da cognição e/ou memória.

Durante o estudo, os participantes preencheram pelo menos dois questionários sobre o que comeram e beberam no dia anterior. Eles foram divididos em quatro grupos, do menor percentual de consumo de ultraprocessados ao maior. Dos 18.021 com ingestão mais baixa desses produtos (média de 9% por dia), 105 desenvolveram demência, em comparação com 150 dos 18.021 com maior composição dos itens altamente modificados na alimentação (média de 28% por dia).

Prevenção

Por outro lado, após fazer uns ajustes de idade, sexo, histórico familiar e outros fatores de risco, os cientistas descobriram que cada aumento de 10% na ingestão diária de ultraprocessados estava associada a um risco 25% maior de demência. Sendo assim, ao estimar o que aconteceria se a pessoa substituísse esse mesmo percentual de produtos do tipo por alimentos não processados ou minimamente processados (frutas, vegetais, leite fresco e carne), a probabilidade de ter algum tipo de demência caía 19%.

No geral

Em geral, o risco de desenvolver demência foi 25% maior entre os consumidores mais adeptos de ultraprocessados; 28% mais elevado em relação à demência vascular e 14% quanto ao Alzheimer.

Apesar de o estudo não apontar diretamente que os alimentos altamente descaracterizados provoquem declínio cognitivo, a médica nutróloga Marcella Garcez explica que diversos mecanismos fisiológicos podem contribuir para essa associação.

“Além do processo natural de envelhecimento, o cérebro é impactado negativamente pela falta de ômega 3, por radicais livres, que são combatidos por alimentos antioxidantes, e por deficiências vasculares, que têm uma relação muito forte com doenças metabólicas como diabetes, e por lipidemias (gorduras no sangue).”

Todavia, ela também ressalta que ingredientes como corantes, sal e gorduras modificadas deflagram processos inflamatórios nas células, incluindo as do cérebro.

E quem já possui a demência?

Mesmo que os alimentos saudáveis não tenham a capacidade de reverter um processo de demência já instalado, Marcella Garcez afirma que, além da prevenção, principalmente em pessoas com histórico familiar, a retirada dos ultraprocessados do cardápio possui o potencial de ajudar pessoas que apresentam o problema.

Por fim, a alimentação saudável pode evitar a progressão da demência, diz a nutróloga.

*Foto: Reprodução

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